Perito do acidente da Gol se une à apuração

Além de Bill English, técnicos de fabricantes das turbinas e equipamentos foram escalados

Bruno Tavares, O Estadao de S.Paulo

05 de junho de 2009 | 00h00

A força-tarefa encarregada de desvendar as causas do acidente com o Airbus A330 da Air France ganhou ontem mais um reforço. Trata-se do investigador americano Bill English, do National Transportation Safety Board (NTSB), o órgão independente responsável pelas investigações de desastres aéreos nos Estados Unidos. Os trabalhos são coordenados pelo Escritório de Investigação e Análises de Acidentes Aéreos da França (BEA, na sigla em francês), com o acompanhamento de militares do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Ontem à tarde, os dois funcionários do BEA que vieram ao Rio para coletar dados do voo 447 retornaram a Paris.O perito do NTSB se tornou conhecido no País após o acidente com o Boeing 737-800 da Gol, que deixou 154 mortos em setembro de 2006. Considerado um dos mais experientes investigadores do mundo, English fez parte da equipe que apurou as circunstâncias da primeira e única colisão aérea com aeronaves civis registrada até hoje em território nacional. Os dados coletados e analisados por ele serviram de base para o relatório paralelo emitido no ano passado pelo NTSB, que divergia em parte das conclusões do Cenipa - para os americanos, o controle de voo brasileiro teve maior parcela de responsabilidade na tragédia do que os pilotos do jato Legacy.Além de English, o grupo americano designado ontem para auxiliar nas investigações do voo 447 conta com técnicos da Agência Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês), da General Electric (GE), indústria americana fabricante das turbinas do A330, e da Honeywell, construtora de boa parte dos componentes eletrônicos do jato.Para chefiar a investigação, os franceses escalaram um de seus mais renomados peritos. Alain Bouillard foi um dos responsáveis por suspender a licença de voo do Concorde, em 2000. Ele integrava a equipe cujo trabalho segurou no solo por mais de um ano toda a frota do jato supersônico até que fossem resolvidos os problemas do avião que contribuíram para um acidente na França, que matou 113 pessoas em 25 de julho de 2000. O veto imposto à época pelo BEA acabou por sepultar todo o projeto do Concorde, iniciado na década de 1960.O Anexo 13 da Organização de Aviação Civil Internacional (Icao, na sigla em inglês), a cartilha que define os métodos e etapas do processo de investigação de acidentes aéreos em todo o mundo, prevê apurações conjuntas, acompanhadas pelos chamados "representantes acreditados", quando a aeronave acidentada foi fabricada, era operada, tinha matrícula ou pertencia a outro país. Os representantes acreditados não só participam ativamente dos trabalhos como podem opinar durante o processo e antes da publicação do relatório final. Caso não haja consenso entre as partes, o representante pode elaborar um laudo paralelo, que deve obrigatoriamente ser anexado ao relatório final.Quando há vítimas estrangeiras, os responsáveis pela apuração podem convidar ou aceitar a participação de peritos de outros países. Nesses casos, eles atuam só como "ouvintes", não podendo opinar sobre a execução ou a conclusão dos trabalhos. O mais recente desastre com o Airbus da TAM, em 2007, é acompanhado por um investigador peruano, por exemplo, pois uma das 199 vítimas era nascida naquele país.

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