Perito duvida da recuperação de imagens de crime na Estácio

O perito e professor da Unicamp Ricardo Molina disse nesta quinta-feira que só poderá recuperar as imagens apagadas da memória dos computadores da Universidade Estácio de Sá se elas ainda estiverem no disco rígido das máquinas. O trabalho em Campinas deve durar, segundo ele, entre 20 e 30 dias.Molina passou esta quinta-feira reunido comperitos do Instituto Carlos Éboli (ICCE), policiais e procuradores do Ministério Público. À tarde, ele foi à Estácio de Sá, na zona norte, para conhecer a sala de controle decâmeras e saber como elas funcionam. ?É preciso entender o local, o ângulo das câmeras, entender a sala de controle, onde asimagens teriam sido gravadas, para ver se há possibilidade de recuperação. Esse é o ponto mais importante?, disse Molina ao Estado por telefone.Após permanecer cerca de duas horas no câmpus, ele saiu sem dar entrevistas. O perito deve voltar nesta sexta-feira para São Paulo com os dois discos rígidos entregues à polícia pela universidade. Depois de informações desencontradas e algumas versões para o mesmo crime, o chefe de Polícia Civil, Álvaro Lins, determinou que as investigações prossigam em sigiloaté o fim do inquérito. Lins disse que só irá se pronunciar se houver um fato novo. Ele disse que tomou a decisão na noite de quarta-feira para que não sejam divulgadas ?versões incorretas? sobre o caso.Nesta quinta-feira, o advogado Edson Soeiro, da empresa TeleSegurança, responsável pela manutenção das câmeras, voltou a afirmar que Carlos Luiz Ferreira Duarte, gerente de tecnologia da empresa, teria visto pelas câmeras 10 e 27 doishomens armados perto da cantina onde a estudante Luciana Gonçalves de Novaes foi baleada, há 18 dias. Eles estariam um de frente para o outro, mas Duarte não chegou a ver troca de tiros, apesar de ter visto fumaça sair do cano de uma das armas.Segundo o advogado, ele não saberia identificar o autor dos disparos. Soeiro disse também que Duarte fez as cópias das imagens gravadas pelo circuito interno de TV do câmpus na sala de controle da universidade, a pedido da instituição, eque foi orientado por um funcionário da Estácio a deixar a cópia na guarita de segurança da entrada principal.De acordo com Soeiro, Duarte foi chamado à universidade pela manhã, pouco depois do tiro. No entanto, a cópia só foi feita por volta de 15 horas porque o gerente da TeleSegurança se ausentou por algumas horas para ir ao centro da cidade comprar um equipamento capaz de fazer a reprodução.Ele disse que só percebeu a adulteração das cenas, que mostrariam o momento em que Luciana foi baleada, quando foi chamado para depor. Nesta quarta-feira, a polícia indiciou Duarte por crime de fraude processual por entender que,como gerente da TeleSegurança, ele deveria ter zelado pelas fitas.

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