Peritos acham órgãos de meninos em caixa de esgoto

Reconstituição da morte dos irmãos esquartejados durou cinco horas em Ribeirão Pires

Marcela Spinosa e José Luis Dacauaziliquá, O Estadao de S.Paulo

13 de setembro de 2008 | 00h00

Durante a reconstituição da morte dos irmãos de 12 e 13 anos, há uma semana, pelo pai e pela madrasta em Ribeirão Pires, foram encontrados órgãos das vítimas na caixa de esgoto e ao longo da tubulação. A encenação durou cinco horas e foi feita com base na versão do segurança João Alexandre Rodrigues, de 39 anos, pai dos meninos. A madrasta, Eliane Rodrigues, de 35, recusou-se a participar. A polícia achou os órgãos após sentir odor de "coisa podre" em fossa atrás da casa do casal. Os bombeiros foram acionados. Ao levantarem a tampa da caixa de esgoto, encontraram parte das vísceras dos irmãos. "Como não há vestígios de que a tampa foi removida, veio a hipótese de que as vísceras teriam sido jogadas no vaso sanitário", disse o diretor da Polícia Científica de Santo André, Nelson Gonçalves.A Defesa Civil também foi chamada para quebrar a tubulação. Nela, foram achados outros órgãos, entre eles um pulmão. "Ele (pulmão) é importante, porque o pai diz que eles foram esganados, e o exame ajudará a comprovar a causa da morte", explicou Gonçalves. Os órgãos foram para o IML. Para o delegado do setor de homicídios da seccional de Santo André, Adilson Lima, o crime foi premeditado. "Se ela (madrasta) não tivesse participado, teria feito algo, chamado a polícia." Segundo a versão do pai, o crime teria começado com uma discussão na sala de estar entre o pai, a madrasta e os meninos. O motivo foi o fato de os meninos terem fugido e voltado com ajuda de conselheira tutelar. "Depois, ele ficou na sala com o Igor, de 12 anos, e a madrasta foi para o quarto do casal com o João, de 13, para darem um corretivo", contou Lima. O pai teria esganado Igor na sala, após ouvir dele uma resposta agressiva, enquanto a madrasta, simultaneamente, matava o mais velho com uma facada na barriga. Na versão dela, o pai teria matado os dois, e ela teria ajudado a esquartejar e ocultar os corpos. Em seguida, segundo o pai, as crianças foram levadas para os fundos da casa. Colocados lado a lado, tiveram as faces cobertas com sacos plásticos. O corpos foram cobertos com lençóis. O pai e a madrasta jogaram querosene e atearam fogo aos cadáveres, que queimaram por uma hora e meia. "Eles acharam que os corpos virariam pó, mas quando o poder de ação do combustível acabou, eles decidiram cortá-los", contou Lima. Durante a reconstituição, o João deu muitos detalhes. Entre eles, um corte feito com a foice na barriga dos irmãos, que teria feito com que os órgãos caíssem. Segundo Lima, ele só chorou ao contar como os filhos foram cortados.

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