Andressa Anholete/AFP
Andressa Anholete/AFP

Peritos encontram partes de corpos em Alcaçuz

Pelo estado de decomposição, as vítimas são do confronto do último sábado; governo constrói muro dentro de presídio

Marco Antônio Carvalho, Enviado especial

21 Janeiro 2017 | 21h30

NATAL - Peritos do Instituto Técnico-científico de Polícia (Itep) recolheram na tarde deste sábado, 21, um crânio inteiro, dois crânios em pedaços, fragmentos de ossos e uma mão em inspeção na Penitenciária Estadual de Alcaçuz, na Grande Natal. Os servidores fizeram uma varredura em parte da unidade e se depararam com o material, que foi recolhido para análise. Não foi informado a quantos corpos pertenciam as partes. Pelo estado de decomposição, o órgão informou que elas são relativas a vítimas do confronto de sábado retrasado, quando a contagem inicial havia apontado 26 mortos.

A ação contou com apoio de funcionários da Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) que esvaziaram parte das fossas da cadeia em busca de corpos, diante das informações que partiram dos próprios preso de que mortos teriam sido jogados no local. O Itep não informou se foi de lá que as partes foram retiradas ou de outros setores da cadeia, cujo interior é repleto de areia advinda da área de dunas que a cerca. 

O governo havia informado que o confronto da quinta-feira passada também deixou mortos, mas não detalhou quando voltará a procurar por corpos na unidade. A varredura ocorreu em meio à relativa tranquilidade da unidade, que chegou ontem ao oitavo dia de motim, com presos soltos pelos pavilhões. Com atuação do Batalhão de Choque, os presos permaneceram no interior dos pavilhões e evitaram subir para o teto das estruturas ao longo de todo o dia.

Muralha. Enquanto o Itep agia, equipes de construção instalavam um muro provisório que deverá separar os pavilhões 1, 2 e 3 do 4 e 5. Ao todo, sete contêineres foram emparelhados para criar o bloqueio entre os pavilhões dominados por facções rivais. No 1, 2 e 3, estão detentos ligados ao Sindicato do Crime; no 4 e 5, presidiários do Primeiro Comando da Capital (PCC). O governo previa que mais sete seriam colocados sobre os já instalados para formar um bloqueio equivalente a cerca de cinco metros de altura.

A estrutura é provisória até que se construa um muro de concreto. "Podemos até terminar hoje (ontem) mesmo. Depois, um muro de concreto será construído em um prazo de vinte dias", disse o comandante-geral da PM potiguar, coronel André Azevedo, que acompanhou a operação nesta tarde em Alcaçuz. 

Questionado sobre ações para retomada do controle nos pavilhões, ele ressaltou o risco envolvido na operação. "Alcaçuz é uma das maiores penitenciárias do Brasil em extensão territorial e está totalmente destruída.Por mais que se retire as armas, qualquer pedaço de ferro, de grade, se transforma em uma arma. Uma barra de ferro se transforma em arma", disse. O oficial não detalhou quais os próximos passos a serem seguidos pelo governo, após a construção do muro, para controlar o presídio.

O coronel disse haver dificuldade na localização de todas as armas em posse dos presos. "Cada vez que a polícia entra, as armas encontradas são retiradas. Mas isso não é suficiente para garantir que amanhã não haverá armas. Seria ingênuo afirmar isso", disse ele, classificando o estado atual de Alcaçuz como "caos arquitetônico predial". 

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