Peritos vão reconstituir telhado de igreja

Ontem demolição foi interrompida por causa de um erro de cálculo

Marcela Spinosa, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

Os peritos do Instituto de Criminalística (IC) vão reconstituir o telhado da sede da Igreja Renascer em Cristo, no Cambuci, na região central de São Paulo. A remontagem da estrutura será feita no estacionamento anexo ao templo, fotografada e analisada em seguida para que os técnicos consigam identificar as causas da tragédia. Após desabamento do teto no domingo passado, nove mulheres morreram e mais de cem pessoas ficaram feridas. Não há previsão para o término dos trabalhos.O perito engenheiro do IC José Manoel Dias Alves, que trabalhou no acidente da TAM em julho de 2007, explicou que a parte mais importante a ser analisada agora é o telhado do templo. "Ele (telhado) tem um reforço. Tentaremos verificar se foi a partir dele que começou o desabamento e se ele estava com excesso de peso", explicou. Para reconstruir o telhado, os peritos vão recolher dos escombros 14 tesouras - estruturas que sustentam a cobertura do templo. "É uma peça antiga e dela pode aparecer alguma coisa (que indique as causas do acidente)", disse Alves. Segundo ele, é a partir dessa remontagem que será possível identificar qual parte do teto ruiu primeiro e quais as partes que desmoronaram em seguida.Além de refazer o telhado, os peritos engenheiros do IC vão recolher outros materiais do teto, como pedaços de madeira e de aço retorcido, para análise laboratorial. Os técnicos vão comparar os materiais encontrados no local com um projeto original do telhado. "É uma soma de causas do que pode ter acontecido. Vamos analisar peça por peça até chegarmos à causa", disse o perito.Para fazer a perícia, o IC vai trabalhar com um perito, um fotógrafo e uma equipe de desenhistas. Eles vão se revezar até o fim dos trabalhos,sem previsão para conclusão. A perícia criminal será realizada simultaneamente à demolição das paredes que resistiram ao desabamento e que correm risco de cair sobre as casas vizinhas.INTERRUPÇÃOOs trabalhos de demolição da igreja começaram ontem às 16 horas, mas foram interrompidos porque o "braço" do guindaste não tinha o comprimento necessário. O serviço, que está previsto para ser retomado hoje, será feito manualmente por dois funcionários de uma empresa de demolição. Eles serão içados até a parede lateral do templo, que pode desabar sobre imóveis vizinhos. Com "braço" curto - 60 metros -, uma peça de mais 10 m foi acoplada ao equipamento. O caminhão com o guindaste chegou a igreja ontem às 6 horas. O solo do estacionamento do templo, onde ele foi posicionado, não suportou as 60 toneladas e afundou 10 centímetros. Para estabilizar o guindaste foi preciso colocar sobre o caminhão quatro chapas de aço. Em seguida, começaram os testes da demolição. Os dois funcionários conseguiram demolir pouco mais de três tijolos da parede, retirados apenas com uma picareta. A demolição não tem data para terminar e será realizada de segunda a sábado, das 7 às 17 horas.FERIDOSDuas vítimas do desabamento continuavam internadas em estado grave ontem. Evelise Del Corso, de 17 anos, está em coma induzido no Hospital do Servidor Municipal do Vergueiro. Fabio Jodas de Oliveira, de 27 anos, permanece na UTI do Hospital das Clínicas. Outros 15 feridos no acidente continuam internados.

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