Pernambucano recebeu prêmios por tradução de poetas italianos

Geraldo Holanda Cavalcanti, diplomata e escritor

Raquel Cozer, O Estado de S.Paulo

03 de junho de 2010 | 00h00

Poeta, contista, ensaísta e memorialista, foi como tradutor que o pernambucano Geraldo Holanda Cavalcanti teve participação mais expressiva no universo literário do País nas últimas décadas. Suas versões para as obras dos poetas italianos Eugenio Montale (Prêmio Nobel de Literatura de 1975), Salvatore Quasimodo (Nobel de 1959) e Giuseppe Ungaretti ? nomes associados no início do século passado à chamada poesia hermética ? lhe renderam honrarias como o Prêmio Internacional Eugenio Montale, na Itália, e o Prêmio Paulo Rónai, da Fundação Biblioteca Nacional.

O diplomata foi também responsável por versões de dois importantes nomes da poesia em língua espanhola, o colombiano Álvaro Mútis e o mexicano Carlos Pellicer. Em 2006, recebeu da Associação Brasileira de Letras o prêmio de tradução por O Cântico dos Cânticos: Um Ensaio de Interpretação Através de Suas Traduções (Edusp). No volume, faz uma análise do fascínio exercido pelo texto bíblico sobre poetas, desde a Antiguidade até os dias atuais, a partir de suas versões e interpretações.

Amigo de João Guimarães Rosa, de quem tomou emprestado o lirismo, Cavalcanti publicou a partir de 1964 os volumes de poesia O Mandiocal de Verdes Mãos, O Elefante de Ludmila e Poesia Reunida. Este último, editado pela Bertrand Brasil e hoje fora de catálogo, lhe rendeu em 1998 o Prêmio Fernando Pessoa, da União Brasileira de Escritores (UBE).

A estreia em ficção aconteceu há apenas três anos, com as narrativas curtas de teor fantástico reunidas em Encontros em Ouro Preto (Record). A editora carioca também publicou, em janeiro deste ano, seu primeiro título de memórias, As Desventuras da Graça, na qual o diplomata traça um cenário das duas primeiras décadas de sua vida, com destaque para a formação intelectual e religiosa.

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