Pernambuco pega 110 anos de prisão

Para o promotor Norberto Joia, a única novidade no caso foi a 'coragem' do réu confesso de alegar coação

Camilla Haddad e Camilla Rigi, O Estadao de S.Paulo

09 de novembro de 2007 | 00h00

Paulo César da Silva Marques, o Pernambuco, de 36 anos, foi condenado ontem a 110 anos e 18 dias de prisão pelo seqüestro e morte do casal Liana Friedenbach e Felippe Caffé, crime ocorrido em 1º de novembro de 2003, em Embu-Guaçu, na Grande São Paulo. Ele era acusado de ter dominado o casal, matado Felippe com um tiro na nuca e estuprado Liana. Pernambuco, que estava preso desde a época do crime no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Pinheiros, zona oeste da capital, foi o último dos cinco envolvidos no crime a ser julgado. Apesar da pena, o réu, que já está detido há quase 4 anos, pode ficar, no máximo, 30 anos na prisão, conforme a legislação brasileira.Os sete jurados, quatro mulheres e três homens, condenaram Pernambuco por todos os crimes pelos quais ele foi indiciado: homicídio qualificado, seqüestro, estupro e cárcere privado. O homicídio de Liana foi triplamente qualificado, em virtude de meio cruel, impossibilidade de defesa da vítima e também porque a morte tinha o intuito de ocultar o crime. No caso de Felippe, houve as mesmas qualificadoras, menos a de meio cruel de execução. O julgamento foi iniciado na quarta-feira e só terminou ontem, às 20h30. A defesa poderia recorrer da sentença, mas o advogado de Pernambuco, Bernardo Carvalho, disse que ele prefere cumprir a pena. O réu ficaria ontem numa carceragem de Itapecerica da Serra e hoje seria levado de volta ao CDP de Pinheiros. No segundo dia de julgamento, a acusação utilizou as três horas a que tinha direito para provar a culpa de Pernambuco. Já a defesa falou durante 1h45.Anteontem, Carvalho havia anunciado que apresentaria "uma ?bomba?" que poderia mudar a opinião do júri. "Era uma pessoa que viria ao júri e isso poderia ter dado um outro resultado", disse o advogado, sem entrar em detalhes.Para o promotor Norberto Joia, "a única novidade foi a coragem do réu de, após ter confessado em juízo, dizer que ele teria sido coagido a tanto". Em seu depoimento na quarta-feira, Pernambuco negou sua participação nos crimes e afirmou que foi forçado a confessar, sob tortura policial. Segundo Carvalho, seu cliente manteve ontem que não havia matado Felippe. O réu disse ainda, de acordo com o advogado, não se lembrar se havia estuprado Liana. Os outros participantes dos crimes já haviam sido julgados no ano passado - Antonio Caetano da Silva, Agnaldo Pires e Antônio Mathias de Barros foram condenados, respectivamente, a 124, 47 e 6 anos de prisão. Considerado o líder do bando, R.A.A.C., o Champinha, era menor de idade na época da morte do casal e, por isso, não será julgado pelo crime. ALÍVIO Ao saber da condenação, a mãe de Felippe, Lenice Caffé, disse que estava aliviada. "Estava vivendo dois pesadelos. Agora passo a viver só com um, que é a morte do meu filho." A advogada Andrea Franco, assistente de acusação, disse que, durante a leitura da sentença, Pernambuco ficou calado, olhando para o chão. "A pena foi além das expectativas", disse.O pai de Liana, Ari Friedenbach, considerou a sentença adequada. "É do tamanho que ele merece. Minha sensação é de que a Justiça dos homens foi feita."FRASESLenice CafféMãe de Felippe Caffé"Estava vivendo dois pesadelos. Agora passo a viver só com um, que é a morte do meu filho."Ari FriedenbachPai de Liana Friedenbach"(A sentença) é do tamanho que ele merece. A Justiça dos homens foi feita."Andrea FrancoAssistente de acusação"A pena foi além da expectativa"

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