Governo de Pernambuco
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Pernambuco tem quatro assassinatos de mulheres trans em menos de um mês

Os crimes em sequência estão sendo investigados pela Polícia Civil de Pernambuco, que considera a possibilidade de motivação transfóbica. Uma das vítimas, Roberta Dias, teve o corpo queimado e morreu nesta sexta-feira

Edward Pena, Especial para o Estadão

09 de julho de 2021 | 20h19

RECIFE - Subiu para quatro o número de mulheres trans assassinadas em Pernambuco em menos de um mês. Uma delas, Roberta Silva, de 32 anos, que foi incendiada por um adolescente no centro do Recife, não resistiu aos ferimentos e morreu na manhã desta sexta-feira, 9. Ela estava internada no Hospital da Restauração havia 14 dias, com 40% do corpo queimado e em estado grave. 

A morte de Roberta foi confirmada pela unidade de saúde, que apontou falências respiratória e renal como causa do falecimento. Mulher trans e moradora de rua, Roberta Silva foi alvo de um atentado no último dia 24, quando um adolescente de 16 anos a incendiou enquanto dormia. Devido à gravidade dos ferimentos, ela teve os dois braços amputados. 

Com a morte de Roberta, subiu para quatro o número de homicídios de pessoas trans no Estado nos últimos 22 dias. No dia 18 de junho, a mulher trans Kalyndra Selva foi achada asfixiada em sua casa, na zona sul do Recife. O companheiro dela é o principal suspeito do crime.

Uma semana depois, Roberta Silva foi atacada pelo adolescente e teve 40% do corpo lesionado por queimaduras de 3 grau. No último domingo, 4, a cabeleireira Crismilly Pérola foi assassinada com um tiro no pescoço. O atirador e a motivação ainda são desconhecidos.

Três dias depois, na madrugada da quarta-feira, 7, Fabiana da Silva Lucas morreu após ter sido golpeada por faca várias vezes, no interior do Estado. O suspeito do crime foi preso em flagrante, mas a motivação é desconhecida.

Os crimes em sequência estão sendo investigados pela Polícia Civil de Pernambuco, que considera a possibilidade de motivação transfóbica. Em declarações recentes em suas redes sociais, o governador Paulo Câmara (PSB) cobrou rigor nas apurações para que os agressores não fiquem impunes. Já o prefeito de Recife, João Campos, lamentou a morte de Roberta da Silva e disse que a Casa de Acolhida LGBTIA+ irá receber seu nome.

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