Pernilongo será alvo de ?megaoperação? no Rio Pinheiros

De um lado, um grupo de empresários que trabalham perto do Rio Pinheiros, armado com larvicidas biológicos e inseticidas líquidos. Do outro, pernilongos. Está pronto o cenário da guerra. A partir de janeiro, uma equipe de técnicos vai percorrer diariamente os 54 km de extensão das duas margens do rio para tentar reduzir em 90% a população de mosquitos Culex - o pernilongo - que atormentam quem vive na região.A operação é resultado de uma parceria entre a Prefeitura e um grupo de empresas - JHS J Construções, Imobiliária Sumaré, Inpar, Hotel Grand Hyatt, Gafisa e Cyrella - que resolveu doar o dinheiro para que o projeto saísse do papel. "Hoje há quatro funcionários na Prefeitura para combater os mosquitos. Não tem condições. Então resolvemos ajudar. Fazemos as doações e a Prefeitura entra com a mão-de-obra", diz Carlos Bassi, diretor de Engenharia do Hyatt. O grupo vai dar origem a uma ONG, batizada provisoriamente de SOS Saúde e Meio Ambiente. O projeto prevê duas frentes de ataque. Para acabar com os insetos adultos, duas caminhonetes equipadas com uma espécie de pulverizador vão espalhar inseticida líquido nas folhagens próximas às margens do rio, todas as manhãs. Para exterminar as larvas do inseto, dois aerobarcos - veículos que andam na terra e na água - vão jogar larvicida granulado na superfície do rio, também perto das margens, a cada 60 dias. Todo o trabalho vai custar às empresas cerca de R$ 2,5 milhões em um ano. Por enquanto, já foram gastos R$ 396 mil na compra de equipamentos - os aerobarcos e uma caminhonete. "Mas precisamos de mais empresas para que o trabalho continue", diz Bassi. Hoje, o combate do mosquito só é feito quando há solicitação da população. Um caminhão vai até o local e passa o inseticida. "Mas só serve para matar os mosquitos que estão ali naquele momento", diz o biólogo Carlos Madeira, do Centro de Controle de Zoonoses. Quem mora na região tem de usar a criatividade para conviver com os insetos. Como é alérgico a inseticidas, o engenheiro Carlos Wang, de 54 anos, morador do Butantã, importou da Dinamarca um aparelho equipado com uma luz negra que atrai os mosquitos. Quando entram no equipamento, recebem uma descarga elétrica. "Às vezes, eles são tantos que entram pelo nariz e ouvido."O Culex é um transmissor de doenças em potencial - responsável pela Febre do Oeste do Nilo, no EUA, e da elefantíase, no Nordeste. "A poluição e as águas paradas fazem do Rio Pinheiros um ´magacriadouro´. Agora vamos combatê-lo do jeito ideal", diz Madeira.

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