Pérola Negra põe caubóis na avenida

Escola conta a história da cidade de Jaraguariúna, a terra do rodeio

Fernanda Aranda e Elisa Estronioli, O Estadao de S.Paulo

04 de fevereiro de 2008 | 00h00

A escola da Vila Madalena deixou os 113 quilômetros que separam São Paulo de Jaguariúna mais curtos. A Pérola Negra cantou no samba-enredo a trajetória da cidade do interior paulista, famosa pelos rodeios, e deu destaque à festa do peão boiadeiro. A agremiação teve como convidados especiais os próprios moradores de Jaguariúna, como os ocupantes de cargos públicos e pessoas de famílias tradicionais do lugar.Mas o tumulto marcou a apresentação. Segundos antes de a escola pisar na avenida, foram deflagradas as confusões. Um dos organizadores da agremiação ficou irritado com a presença dos jornalistas na concentração e agrediu o cinegrafista Fábio Garcia, do programa A Tarde é Sua, da Rede TV! com um soco na boca. O câmera tentou revidar, e o tumulto se estendeu por 15 minutos. Na confusão, quase não deu para ouvir os "rugidos" que a pantera negra, símbolo da Pérola, fazia no carro abre alas de 40 metros.Quando os ânimos finalmente acalmaram foi a vez do segundo carro alegórico dar problema. A Maria Fumaça, que puxava a alegoria, quebrou e precisou ser retirada. Os velhinhos que estavam dentro da máquina precisaram desfilar pelo sambódromo a pé mesmo, disfarçando o rombo que ficou na frente do alegórico.Com passinhos curtos, mas sem perder o gingado, a velha guarda de Jaguariúna cumpriu todo o trajeto. Um deles, era Manuel Rodrigues de Almeida, 79 anos, que já foi chefe de estação ferroviária da cidade nos tempos do motor a lenha. "Foi difícil acertar o passo. Não tínhamos treinado para sambar no chão", contou ele que confessou um temor. "Tive medo, porque não faz muito tempo que eu sofri um enfarte. Mas sou só sorrisos."Apesar dos contratempos, a escola finalizou sua participação em exatos 65 minutos. E trouxe novidades para o sambódromo como o quarto carro alegórico que simulou uma arena de peão boiadeiro. Preenchida por cowboys de verdade, até um touro mecânico fazia parte dos enfeites.Nessa parte, uma homenagem ao campeão de rodeios, Virgilio Gonçalves, morto por um concorrente no dia 14 de outubro de 2007, foi feita. Os cowboys do samba fizeram bonito no Anhembi. A escola agora espera que as confusões não interfiram nas notas dos jurados.

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