"Perplexo", Aécio promete instalar comissão inédita de segurança

O presidente da Câmara dos Deputados, Aécio Neves, disse hoje à tarde que a agenda da segurança se tornou prioridade no cenário político nacional. Ele revelou que em fevereiro, tão logo retorne do recesso parlamentar, a Câmara vai instalar pela primeira vez uma Comissão Permanente de Segurança Pública, que vai reunir, analisar e votar todas as propostas que tramitam na casa sobre o tema.Segundo Aécio Neves, a criação dessa comissão, que terá status semelhante às comissões tradicionais, como de Justiça, de Economia e de Comunicação, foi aprovada na última semana da sessão legislativa do ano passado, mas não chegou a ser divulgada. "Teremos 35 deputados se dedicando integralmente à questão da segurança pública no País", disse o presidente da Câmara. "Vamos concentrar tudo em um lugar só na Câmara, ver quais são as prioridades e votá-las".Ele lamentou o assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. "É algo que choca a todos nós", disse. "Estou perplexo". De acordo com Aécio Neves, é fundamental que se vá fundo nas investigações para identificar os autores do crime. "Isso atinge não só ao PT mas a todos nós", afirmou. Ele não quis comentar a possibilidade de o crime ter conotações políticas. "Não se pode antecipar julgamentos", disse. O combate à criminalidade, advertiu, tem que ser uma ação coletiva. "Precisamos de uma ação coordenada dos governos federal, dos estados e dos municípios." Traumatizados - "Estarrecedor" e "apavorante" foram os adjetivos empregados pelo presidente do PSDB, deputado José Anibal (SP), para descrever a reação provocada pelo assassinato do prefeito de Santo André, Celso Daniel. De acordo com o deputado, o presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem conversou pela manhã, está empenhado em esclarecer e punir os responsáveis pelo crime o quanto antes. Outro parlamentar tucano, o deputado Alberto Goldman (SP), acredita que a primeira resposta que deve ser dada à população é quanto aos motivos do assassinato. Segundo ele, a pergunta que se faz hoje é se foi um crime "por puro banditismo" ou se teve envolvimento político, embora o motivo não diminua o trauma provocado pelo crime. "Estamos todos traumatizados e sem saber o que dizer sobre tudo isso", constatou.

Agencia Estado,

20 de janeiro de 2002 | 16h12

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