Peruanos elogiam acesso à saúde

''Isto aqui é o paraíso'', afirma harpista na zona sul do Rio

Felipe Werneck, RIO, O Estadao de S.Paulo

05 de setembro de 2009 | 00h00

A peruana Blanca Nuñez, de 54 anos, se mudou para o Rio com a filha Stefay Inga Suarez, de 20, há um ano e seis meses, em busca de trabalho. Elas vendem artesanato típico do Peru no calçadão das praias de Ipanema e de Copacabana, na zona sul do Rio. Estão em situação irregular no País. No Rio, Blanca descobriu que tem câncer de mama. Ela diz que está bem, mas sabe que precisa de tratamento.

"Vou pedir a anistia para nós duas. Quero principalmente para tratar a minha doença. No Peru, a saúde é paga. Lá, se eu tenho câncer e não tenho dinheiro, morro." A peruana conta que já foi levada por um parente que tem residência regular no País a uma unidade do Instituto Nacional de Câncer (Inca). "É algo muito bom para a gente não precisar se esconder", diz Blanca. "Sempre respeitei as leis do País." Ela e a filha vivem da venda de pulseiras, brincos e colares, a maioria colorida. "Para viver bem, não dá. Mas dá para os gastos, para pagar o aluguel. E fico perto do meu irmão, que mora aqui há muitos anos." Já a cantora Victória Contreras, de 64 anos, e o músico Alfonso Fabian, de 70, também peruanos, se apresentam nas ruas do Rio tocando canções incas. Não têm um ponto fixo, por causa do Choque de Ordem municipal. Ontem, estavam com a harpa deles no Largo do Machado, zona sul. Os dois foram anistiados em 1998. "Graças à residência, tenho direito ao atendimento de graça nos hospitais. Sem isso, não me atendem. Sofro de pressão alta", conta Victória, que está no Brasil desde 1996.

"Antes da anistia, uma vez a polícia me pegou e pediu R$ 800 no Paraná. Eu disse que não tinha dinheiro nem para comer", diz ela. O companheiro conta que muitos peruanos "estão contentes" como a nova lei. "Há muita gente sem documentação que hoje não pode fazer nada. Eles dizem: ?agora vou poder ser brasileiro também?. Isto aqui é o paraíso. Não existe cidade como o Rio." Além da harpa, os dois levam sempre um amplificador, duas cadeiras de praia e um caixote de papelão para expor CDs de música inca gravados por eles.

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