Peruas foram maior problema em São Paulo nesta 2ª-feira

No primeiro dia útil após o cancelamento de 226 linhas de ônibus, o sistema de transporte público acabou operando na manhã desta segunda-feira com menos problemas do que no sábado, quando as alterações entraram em vigor. Mesmo assim, houve atrasos e filas, principalmente para embarcar nas peruas, nos terminais.Perueiros foram ameaçados por antigos responsáveis pelas linhas que assumiram, e muita gente reclamou das mudanças. No Jardim Ângela, passageiros tiveram de andar até dois quilômetros além do que estavam acostumados para pegar um ônibus.A lavadeira Maria de Lourdes Modesto, de 54 anos, teve problemas para conseguir informações: a Prefeitura indicou a ela, como única opção ao trajeto cancelado, a linha 6068, que não vai até o Terminal Capelinha, aonde ela pretendia chegar.E até mesmo motoristas ficaram confusos. Na zona sul, condutores de peruas desconheciam o trajeto que teriam de passar a fazer.Segundo a São Paulo Transporte (SPTrans), no horário de pico da manhã, das 4 às 8 horas, houve 15 problemas com cooperativas e nenhum "registro fora do normal" nos terminais nem nas linhas das empresas de ônibus.Quatro casos foram considerados mais graves pelo diretor-operacional da SPTrans, Mauricio Thesin. Em dois itinerários na zona sul os veículos foram impedidos de circular pelos antigos operadores. Em outros dois, na mesma região, os problemas foram resolvidos mais rapidamente.Apesar dos transtornos, o secretário municipal dos Transportes, Jilmar Tatto, e o presidente da SPTrans, Gerson Bittencourt, estavam otimistas. "A operação foi um sucesso, com menos problemas do que no sábado", comemorou o secretário. "Para nós, (a reestruturação) está muito positiva", concordou Bittencourt. Tatto acredita que até o meio da semana as dúvidas estejam sanadas. A volta para casa, no fim da tarde desta segunda, já foi mais tranqüila.As modificações envolveram dez cooperativas - um total de 5.609 veículos, entre ônibus bairro a bairro, microônibus e vans. A principal dificuldade dos operadores é a comunicação, pois muitos saem com os veículos de casa. "Nas garagens, se um motorista falta, a empresa tem como repor. Ou se alguém tem dúvida sobre o itinerário, tem como explicar lá", disse Thesin.Tatto e Bittencourt atribuíram ao governo do Estado a responsabilidade pelo combate às ameaças de depredação de ônibus e a coerção sofrida por alguns motoristas. A PM informou que deve se pronunciar nesta terça-feira sobre o assunto.

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