Perueiro acusa ex-secretário por abrigar membros do PCC em cooperativa

Preso pela polícia sob acusação de manter ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), Luiz Carlos Efigênio Pacheco, de 36 anos, presidente da cooperativa de perueiros Cooper Pam, disse, em interrogatório, que foi por determinação do ex-secretário de Transportes de São Paulo Jilmar Tatto (PT) que a Cooper Pam teve de abrigar integrantes da cooperativa Transmetro, dominada por pessoas ligadas à facção.O fato ocorreu durante o processo de licitação das linhas feito na administração municipal passada. Pacheco, o Pandora, não esclareceu se Tatto tinha conhecimento de que os dirigentes da Transmetro eram criminosos. Ele contou que, com a prisão de um dos líderes da cooperativa, Antonio José Müller Junior, o Granada, soube das relações da Transmetro com o PCC. "O fato gerou extremo medo, o que levou a Cooper Pam a ceder veículos à Transmetro."Na época, Tatto anunciou, segundo Pandora, a extinção da Transmetro e informou que seus membros seriam absorvidos pelas demais cooperativas. "O Granada tinha um ótimo relacionamento com o Tatto", disse Pandora, que "ouvia boatos" de que o PCC comandava a garagem 2 da Cooper Pam (a G-2).Ele foi preso nesta terça porque, segundo a polícia, a garagem 2 financiou a tentativa de resgate de um preso, identificado como Nivaldo, da Cadeia Pública de Santo André, em 5 de março. Ele é irmão de um membro do PCC, conhecido como Branco, preso em Araraquara. A empresa opera 103 linhas com 1.380 veículos na zona sul, nas regiões 6 e 7 (Socorro, Parelheiros e M´Boi Mirim).Além de Pandora, também cumpre prisão temporária de dez dias em Santo André o tesoureiro da G-2, Francisco Assis Alves Bizerra, o Chiquinho. Paulo Siqueira de Faria, outro membro da cooperativa, fugiu.Elo de ligaçãoFaria seria o elo com o resgate. Ele teria atendido a um pedido de Granada, que estava preso em Araraquara com Branco. Granada era diretor da Transmetro, que funcionava em Diadema, e foi detido há dois anos, depois que a polícia descobriu que ele era da facção e atuava com o nome falso de Agnaldo de Souza Ferreira.Faria também trabalhou na Transmetro. Segundo a polícia, os órfãos da empresa criaram a Coopermix para continuar atuando para o PCC, mas, como ela era clandestina, foi absorvida pela Cooper Pam, por meio da criação da G-2. A polícia chegou à Cooper Pam após a prisão, em março, de um dos envolvidos no resgate.NotaO secretário municipal dos Transportes, Frederico Bussinger, disse que não ia comentar o caso, pois "isso é assunto policial." A secretaria divulgou nota em que afirmou que Granada não consta nem da relação dos cooperativados contratados pela secretaria, mas informou que Bizerra é cadastrado.Segundo a nota, a Coopermix não tem relação com a secretaria nem com a SPTrans e a Cooper Pam não é sucessora da Coopermix. "A Cooper Pam compõe o Consórcio Autho Pam, permissionário das áreas 6 e 7, zona sul da capital", tendo assinado os contratos em 2003, como resultado de licitação.Ex-secretário nega ter ajudado cooperativaO ex-secretário Jilmar Tatto (PT) negou que tenha interferido em favor da cooperativa Transmetro, suspeita de ligação com o PCC. Ele disse que a licitação para concessão de ônibus e peruas foi transparente. "Todas as denúncias de banditismo, mortes, ligações desses setores com o crime organizado, foram encaminhadas à polícia."Tatto disse que a Transmetro não participou do processo licitatório. "Como posso ter ajudado a cooperativa se ela nem entrou no processo?" Ele confirmou que fazia reuniões com perueiros, mas de caráter institucional."Eram reuniões com 30, 40 empresários. Não me lembro se tinha participante desta ou daquela empresa. Ele (o perueiro Luiz Carlos Pacheco) está me acusando para se defender.

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