Perueiros recuam e aceitam bilhete único

Os perueiros recuaram nesta quarta-feira e não cumpriram a ameaça de recusar o bilhete único. O boicote havia sido anunciado na terça, após uma reunião entre os presidentes das cooperativas do sistema local - responsável por trajetos menores entre os bairros - e a São Paulo Transporte (SPTrans). Eles se sentem prejudicados pela nova forma de remuneração estabelecida com a adoção do cartão magnético, que permite ao passageiro fazer quantas viagens quiser em duas horas pelo preço de uma tarifa. Atualmente, os cerca de 6 mil operadores recebem R$ 100 por dia, independentemente de quantos passageiros transportarem. Antes do bilhete único, os perueiros ficavam com toda a quantia arrecadada. Os passes eram enviados para a SPTrans, que fazia a remissão do valor em dinheiro. Em compensação, os perueiros eram obrigados a pagar algumas taxas. Segundo a SPTrans, atualmente 3 milhões de pessoas usam o cartão. "Quando o bilhete único passou a funcionar, a SPTrans explicou que faria a remuneração estimada, porque não tinha como prever quantas pessoas pagariam a tarifa com o cartão", disse o presidente da Cooperpeople, Francisco de Mola Neto. "Isso foi há dois meses. Queremos uma solução." Segundo ele, a receita de alguns cooperados caiu até 40% no período. Os presidentes das três maiores cooperativas da cidade (Transcooper, Cooper Pam e Cooperpeople) querem que a Prefeitura pague, todo dia, 22 tarifas por veículo (cerca de R$ 35,00) só para cobrir passagens gratuitas - de idosos e do período de duas horas do bilhete único. Também pedem redução da taxa de administração (de 4% para 2% do faturamento total) e definição do valor pago por passageiro transportado. "Cancelamos o boicote para não prejudicar a população", diz o vice-presidente da Transcooper, Paulo Roberto dos Santos. Na madrugada de quarta, o secretário dos Transportes, Gérson Bittencourt, teria telefonado para os presidentes das cooperativas, pedindo "um voto de confiança". A SPTrans informou que está negociando com os perueiros e não vai se pronunciar até sexta-feira, quando está marcada uma nova reunião com os representantes das cooperativas.

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