Pescador terá alta em 10 dias

Rapaz se feriu com próprio arpão durante mergulho

Talita Figueiredo, O Estadao de S.Paulo

01 de abril de 2009 | 00h00

Uma fisgada, uma forte queimação no rosto e um grande medo de morrer. Foi o que sentiu o pintor de carros e mergulhador Emerson Abreu, de 36 anos, quando teve o crânio perfurado pelo próprio arpão quando fazia pesca submarina no domingo, na Ilha do Governador, zona norte do Rio. Ele segue internado no Hospital Estadual Adão Pereira Nunes, em Saracuruna (Baixada Fluminense), onde passou por apenas uma cirurgia, que durou uma hora e meia.A parte externa do arpão foi cortada para que ele pudesse entrar na tomografia. Dos 70 cm de haste, 25% estava dentro do crânio. Segundo o diretor da unidade, Manoel Moreira, a evolução do paciente é satisfatória e, até agora, não há sequelas. "Por milímetros" o arpão não atingiu o globo ocular. Ele está fazendo uso de antibióticos para evitar infecções e deve receber alta em até dez dias. Segundo o médico, deve levar uma vida normal. A seguir, os principais trechos da entrevista dada pelo mergulhador no hospital. ACIDENTE"O arpão foi disparado em direção a um peixe, bateu em uma pedra, voltou e atingiu minha cabeça. Meu colega estava bem distante de mim. Eu creio que não tem possibilidade de ter sido o arpão dele. Senti muita dor quando saí da água. Queimava muito a minha face."MEDOCom certeza (pensei que ia morrer). Pensei que os hospitais não teriam recursos para me socorrer. Eu estava muito nervoso. Segurei a flecha e um rapaz me levou até a maca e depois ao veículo dele. Graças a Deus surgiu esse hospital aqui (Adão Pereira Nunes), que me deu apoio, tinha recursos muito bons. SEQUELASNem pensei nisso. Na hora, pensei em tirar a flecha da cabeça, mas o pessoal que estava me dando assistência orientou a não fazer isso. Agora, consigo fazer sozinho todos os movimentos. Já tomo banho, transito no corredor, faço refeições sozinho.RECUPERAÇÃOPrimeiro, tenho de agradecer a Deus. Depois, à direção desse hospital. O pessoal tem sido tudo de bom. A sensação é pensar só em Deus. Tenho de agradecer muito por esse livramento.FUTUROPenso em batalhar e trabalhar para garantir o sustento da minha família. Desde os meus 15 anos eu pesco. Minha família toda é de pescadores. É horrível ver sua família desesperada. Pescaria nunca mais.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.