Pesquisa aponta queda na violência em escolas de SP

Poucos meses depois de ter sido apenas parcialmente colocado em prática, o plano de segurança nas escolas trouxe resultados efetivos, segundo a Secretaria do Estado da Educação de SP. Foi apresentada hoje uma pesquisa que mostra queda de 57,2%, entre maio e junho, nos índices de violência nas escolas de São Paulo. Os números surpreenderam até o secretário Gabriel Chalita."A mudança ocorre rapidamente porque é uma mudança de postura", disse. Mas o resultado é visto com incredulidade por entidades de classe de diretores e professores.Chalita se refere à capacitação de profissionais, que começou em maio, como parte do plano de segurança. A intenção era combater a violência criando o conceito de "escola cidadã". Por meio de teleconferências e visitas a parques de diversões, eles receberam orientações sobre como lidar com problemas como drogas, vulnerabilidade do adolescente e agressões nas aulas.A pesquisa realizada pela secretaria, com a ajuda da Polícia Militar, não leva em consideração a violência que ocorre fora da escola. Os responsáveis pelos 230 mil estabelecimentos de ensino do Estado preencheram fichas mensais sobre as ocorrências relacionadas à violência. O programa começou a funcionar em fevereiro, quando 26% das escolas registraram ocorrências. Em março e abril, os números subiram e em maio começaram a cair. Em junho, apenas 16,1% delas mencionaram qualquer tipo de violência.IntimidadosO secretário não acredita que professores ou diretores tenham se sentido intimidados por criminosos e, por isso, não registraram problemas. "Hoje, existe um acompanhamento de pais e do conselho das escolas, não é só o diretor quem decide." Segundo a pesquisa, a diminuição foi mais acentuada no interior do Estado, quando de maio a junho o número de ocorrências caiu de 1.115 para 507. O tipo de registro que mais aparece é a depredação da escola, com 8% das ocorrências, em junho. A lesão corporal, seja entre alunos ou entre professor e aluno, representa 4,4%.A secretaria também começou a instalar câmeras de vídeo nas escolas - cerca de 1.500 das 2 mil já estão em funcionamento - e ainda pretende cobrir quadras esportivas, intensificar programas de valorização do teatro, da música e do cinema e empregar agentes de segurança. Chalita, porém, acredita que é a nova linha pedagógica a responsável pelos resultados. "É com educação mais afetiva, mais próxima do aluno e com a participação da comunidade que a escola vai ficar ainda mais segura."IncredulidadeRepresentantes de entidades ligadas à educação mostraram incredulidade diante dos resultados da pesquisa. Embora reconheça que não se verificaram crimes violentos em escolas estaduais nos últimos meses, o presidente do sindicato dos diretores (Udemo), Roberto Augusto Torres Leme, atribuiu o baixo índice de registros de ocorrências ao medo."Ninguém quer fazer boletim de ocorrência porque tem medo de represálias. Além disso, a eficácia das denúncias é muito baixa", afirmou Leme. A entidade defende um sistema de rondas da Polícia Militar mais intenso. "O tempo entre uma ronda e outra acaba sendo muito longo", reclamou.O presidente da Apeoesp, o sindicato dos professores da rede estadual, Carlos Ramiro de Castro, ironizou os dados. "A violência nas escolas é a violência da sociedade como um todo. Não é em um ou dois meses que vamos conseguir resolver problemas tão graves", disse. "Ou a pesquisa é incorreta ou a secretaria está certa e todo mundo, errado."Na opinião de Castro, as medidas da administração para combater a violência se revelaram "incipientes". "Há a proposta de colocar policiais dentro da escola para revistar alunos e câmeras de vídeo para vigiar. O lugar da polícia é fora da unidade, para evitar que a violência se estenda até lá", defendeu. A participação da comunidade e a contratação de vigias ligados às próprias comunidades ajudariam, na opinião dele.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.