Pesquisa Ibope vê Dilma sem abalo

Mesmo após escândalos, petista crava 51%, enquanto Serra oscila 2 pontos para baixo e tem 25%; só Marina sobe e passa de 8% para 11%

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, manteve pela terceira pesquisa consecutiva o índice de 51% de intenções de voto, segundo levantamento Ibope/Estado/TV Globo. Nas últimas duas semanas, Marina Silva subiu e Serra oscilou para baixo. 

O candidato do PSDB variou de 27% para 25%, patamar mais baixo desde o início da campanha eleitoral. Ele tem agora menos da metade do índice da adversária petista. Já Marina atingiu, pela primeira vez, um índice de dois dígitos no Ibope: subiu de 8% para 11%.

Os movimentos coincidem com o acirramento do debate em torno da quebra do sigilo fiscal de tucanos. Serra, pai de uma das vítimas, levou o caso ao programa eleitoral e, em debates e entrevistas, procurou vincular Dilma ao episódio. Marina também cobrou explicações e providências do governo em relação ao caso.

A pesquisa também foi feita após a revelação de envolvimento do filho da ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra em um esquema de tráfico de influência que beneficiava empresas privadas com interesses no governo. O episódio provocou a queda da ministra na quinta-feira - terceiro e último dia em que os pesquisadores do instituto estiveram em campo.

Com esse resultado, Dilma seria eleita no primeiro turno se a eleição fosse realizada hoje, com 58% dos votos válidos - excluídos os nulos e em branco e os eleitores indecisos.

A três semanas da eleição, a pesquisa mostra aumento da expectativa de vitória da petista: para 72%, ela será a sucessora do presidente Luiz Inácio Lula da Silva - há duas semanas, eram 69% os que faziam essa previsão. Os que acreditam em uma vitória de Serra eram 17% e caíram para 14%.

Os índices de rejeição se mantiveram inalterados: 19% para Dilma e 26% para Serra.

Sexo, renda e escolaridade. Marina teve o maior crescimento, e Serra a maior queda, entre os eleitores com escolaridade superior - em tese, os mais bem informados sobre os últimos escândalos. Nessa faixa, a candidata do PV cresceu oito pontos porcentuais, chegando a 21%. Já o tucano caiu de 36% para 30%, enquanto Dilma permaneceu com 36%.

No segmento com renda mais alta, acima de cinco salários mínimos, a preferência por Serra caiu de 34% para 29%, enquanto a por Marina subiu de 13% para 19%. Dilma, nessa faixa, oscilou de 39% para 40%.

Na divisão do eleitorado por gênero, Marina subiu quatro pontos entre as mulheres (de 8% para 12%) e três entre os homens (de 7% para 10%). Dilma manteve seus porcentuais, enquanto Serra passou de 28% para 25% no segmento feminino e de 27% para 24% no masculino.

Geografia do voto. A divisão por regiões mostra que o candidato do PSDB perdeu eleitores no Sudeste: passou de 31% para 24% em duas semanas. No mesmo período, Dilma subiu, chegando a 48%, o dobro do índice de intenção de voto do principal adversário. Marina, na região que concentra a maior parcela do eleitorado, passou de 10% para 14%.

A candidata do PV dobrou o número de simpatizantes no Sul, de 5% para 10%. Na região, Serra se manteve com 35% e Dilma oscilou de 44% para 42%.

A candidata do PV só não subiu com índice superior ao da margem de erro no Nordeste, onde aparece com 7% - tinha 6%. Dilma continua líder disparada entre os nordestinos, com 66% das preferências, mesmo patamar da pesquisa anterior, Serra variou de 18% para 16%.

A Região Norte/Centro-Oeste foi a única em que Dilma caiu, de 55% para 46%. Já o candidato do PSDB subiu, de 25% para 30%. Marina também cresceu, de 8% para 13%.

Na pesquisa espontânea - a que mostra os votos mais consolidados, pois os eleitores manifestam suas preferências antes de ler a lista de candidatos, Dilma chegou a 44%, mais do que o dobro de Serra (19%). Marina subiu de 5% para 9%.

O Ibope também avaliou o grau de satisfação do eleitorado com o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Para 80%, a gestão é ótima ou boa - é a primeira vez que o Ibope detecta um número tão alto. Apenas 4% da população considera o governo ruim ou péssimo.

Entre os que têm avaliação positiva do governo, 61% se mostram inclinados a votar em Dilma, e apenas 19% no principal candidato da oposição.

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