Pesquisa mostra 241 rotas do tráfico de mulheres

O tráfico de mulheres no Brasil usa 241 rotas domésticas e internacionais. Desse total, 131 têm como destino Espanha, Holanda, Alemanha e países da América do Sul. A maior parte das aliciadas são mestiças e afro-descendentes e têm entre 12 e 24 anos. Atraídas por melhores condições de vida, quando chegam ao exterior têm o passaporte retido e passam a viver em cárcere privado.Este é o resultado da Pesquisa sobre Tráfico de Mulheres, Crianças e Adolescentes para fins de Exploração Sexual Comercial no Brasil, promovida pelo Centro de Referência, Estudos e Ações sobre Crianças e Adolescentes. A coleta de dados foi de junho de 2001 a junho de 2002. Os 130 pesquisadores concluíram ainda que, por trás do tráfico de mulheres, estão máfias e crime organizado.A Espanha é o destino da maioria das brasileiras, com 32 rotas, seguida por Holanda (11) e Venezuela (10). Mas nem sempre as mulheres ficam no país a que chegaram. Elas saem do Amazonas e do Pará, por exemplo, para Roraima, de onde partem para Venezuela, Suriname e Guiana. De lá, vão para Espanha, Holanda e Alemanha.O Maranhão é outro ponto de partida importante para o tráfico de mulheres. Elas viajam para Belém, seguem até países vizinhos e depois para a Europa. Outra opção é sair de São Luiz para São Paulo ou Rio e, depois, para a Espanha.De São Paulo e Rio partem mulheres para Holanda, Itália, Israel, Portugal e Estados Unidos.Os pesquisadores se surpreenderam com a quantidade de moças levadas de Goiânia para a Europa e de Uberlândia e Belo Horizonte para os EUA. No sul, os pólos de tráfico são Uruguaiana e Foz do Iguaçu. Os destinos são Argentina, Paraguai e Chile. Já Natal, Fortaleza, Salvador e Recife recebem destaque por estarem na rota do turismo sexual.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.