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Pesquisa mostra alto índice de violência contra mulher

Uma pesquisa inédita sobre violência contra as mulheres, em que os homens são os entrevistados, revela que um quarto deles (25,4%) já agrediu fisicamente a parceira. O porcentual dos que disseram ter praticado agressão psicológica, insultando, humilhando ou ameaçando a parceira, chegou a 38,8%.Os pesquisadores usaram ainda a classificação ?violência sexual?, que inclui não apenas forçar a mulher ao sexo, mas também chantageá-la e ridicularizar o corpo ou o desempenho sexual da companheira.Admitiram ter usado este tipo de agressão 17,2% dos entrevistados, mas apenas 2% reconheceram ter obrigado a parceira a ter relações sexuais. A soma dos porcentuais é maior do que 100% porque alguns disseram ter cometido mais de um tipo de agressão.Combinando as diversas respostas, que relacionam 15 diferentes formas de violência, a pesquisa revela que 51,4% usaram pelo menos uma vez algum tipo de agressão contra a parceira.A pesquisa começou a ser feita no fim de 2001 por duas organizações não-governamentais, a Promundo e a Noos. Os dados acabam de ser reunidos em uma publicação que será lançada nesta quinta-feira pelos coordenadores Fernando Acosta e Gary Barker. Foram entrevistados 749 homens com idades entre 15 e 60 anos, moradores de três áreas do Rio de Janeiro: um bairro pobre da zona oeste, um condomínio de classe média e uma favela em Botafogo, na zona sul.Também foram feitas pesquisas qualitativas com 52 homens divididos em oito grupos. Foi o primeiro levantamento feito no Brasil ouvindo os homens sobre agressões às mulheres. Os pesquisadores querem repetir a pesquisa em um Estado de cada região.?Pesquisas feitas com mulheres já indicavam que 60% delas sofreram algum tipo de violência do parceiro e 30% sofreram violência física. Mas, desta vez, os agressores admitiram a violência. E eles não têm orgulho de praticar a violência. Em geral, têm vergonha?, diz o psicólogo Fernando Acosta, fundador do Instituto Noos.Nas pesquisas qualitativas, que buscaram os motivos das agressões, os homens alegaram principalmente ciúme, infidelidade da parceira, assuntos domésticos, como criação dos filhos ou finanças domésticas, e o fato de serem ?importunados? pelas mulheres.Tanto os de baixa renda quanto os de classe média disseram em geral que a violência contra mulheres é socialmente aceita e não deveria acontecer, mas os homens ?perdem o controle?. Alguns citaram o desemprego como motivo para piorar a relação com as companheiras.A pesquisa criou um Índice Composto de Violência: baixo para quem disse ter cometido violência ?uma vez?, médio para quem respondeu ?mais de uma vez?, alto para ?freqüentemente? e inexistente para quem disse jamais ter agredido a parceira.Os resultados mostraram que o alto índice está mais presente entre os homens com idade entre 20 e 24 anos, que estão formando suas primeiras relações estáveis.Os altos índices estão mais presentes também entre os homens que tiveram três ou mais parceiras nos últimos seis meses, entre os que não usam preservativos e entre os que já tiveram algum tipo de doença sexualmente transmissível.?Esses comportamentos vão juntos. Também há uma relação entre os homens que testemunharam ou foram vítimas de violência na infância e agora praticam agressões. A pesquisa foi feita com os homens não para desculpá-los, mas para entender as razões e descobrir como desconstruir. Muitos homens estão repetindo a violência que receberam ou testemunharam?, diz o pesquisador americano Gary Baker, coordenador da Promundo.O Instituto Noos atende cerca de 60 homens a cada seis meses, que buscam terapia para deixar de agredir a companheira. A grande maioria deles chega aos terapeutas por ordem judicial, como pena alternativa decidida pelos juízes ou como última chance antes de responder a processo criminal. Segundo Fernando Acosta, 21 mil homens foram processados por violência contra mulheres no Estado do Rio, em 2001.

Agencia Estado,

18 de março de 2003 | 17h30

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