Pesquisa mostra Serra com 10 pontos de vantagem sobre Dilma

No Datafolha, tucano vai a 38% das intenções de voto, contra 28% da petista, enquanto Marina (com 10%) e Ciro (9%) têm empate técnico

Daniel Bramatti, O Estado de S.Paulo

18 de abril de 2010 | 00h00

A primeira pesquisa Datafolha feita após o lançamento de José Serra como pré-candidato à Presidência mostra o tucano com 38% das intenções de voto, à frente da petista Dilma Rousseff, com 28%. O levantamento mostra empate técnico entre Marina Silva (10%), do PV, e Ciro Gomes (9%), do PSB.

Em relação à pesquisa anterior do Datafolha, no final de março, Serra e Dilma oscilaram para cima, dentro da margem de erro. O tucano tinha 36% e a petista, 27%. Em fevereiro, após lançamento da pré-candidatura de Dilma, apenas quatro pontos separavam os dois (32% a 28%).

Ciro oscila na margem de erro, mas a tendência é de queda: de 13% em dezembro para 9% em abril. Ele não tem aparecido em público e, pela internet, reclamou de seu próprio partido, cujos líderes não se definem entre a candidatura própria e o apoio a Dilma.

Em cenário sem Ciro na lista de candidatos, a vantagem de Serra sobre Dilma passa a ser de 12 pontos. Ele aparece com 42%, o mesmo que a soma dos índices da petista (30%) e de Marina (12%). A eleição é definida em um único turno quando um candidato tem mais votos que os dos adversários somados.

Em eventual segundo turno, Serra venceria Dilma por 50% a 40% caso a eleição fosse hoje.

Na pesquisa espontânea, sem a lista de candidatos, 54% não sabem em quem votar. Dilma e Serra aparecem com 13% e 12%, respectivamente. São citados o próprio Lula (7%), "candidato do Lula" (3%) e "candidato do PT" (1%).

Do total de eleitores, 14% dizem que votarão no candidato apoiado pelo presidente, mas não optam por Dilma nem sabem quem ela é. O desempenho do presidente é aprovado por 73% dos entrevistados. Em março, eram 76% os que consideravam o governo ótimo ou bom.

Os números do Datafolha foram divulgados no momento em que o PSDB promove ofensiva contra o instituto Sensus, por suspeita de manipulação de resultados. Em pesquisa encomendada por um sindicato ligado à Força Sindical, que apoia Dilma, a petista apareceu empatada com Serra no início da semana.

A Justiça Eleitoral permitiu que técnicos tucanos tivessem acesso aos 2.000 questionários preenchidos pelos entrevistadores do Sensus. O instituto nega irregularidades.

Teto e bússola. O líder do PSDB na Câmara, deputado João Almeida (BA), classificou como "normal" a oscilação no Datafolha. "O eleitor ainda não entrou na campanha", disse. "A oficialização da candidatura colocou todos em igualdade de condições."

Para o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), Serra tem condições de ampliar a vantagem. "Com tempo disponível de candidato e as visitas que vai fazer, terá espaço para crescer", afirmou. Na sua opinião, Dilma "chegou ao limite como candidata ancorada à máquina do governo".

O deputado Henrique Fontana (PT-SC), ex-líder do governo, disse que o resultado da pesquisa não altera o rumo da campanha petista. "Temos sinal claro que a maioria quer a continuidade." Ele criticou a diferença entre o Datafolha e outros institutos. "Um dá empate e outro dá dez pontos de diferença?", questionou, referindo-se à pesquisa Sensus. "Torço para que o Datafolha esteja com a bússola desregulada".

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.