Pesquisa prova consumo de drogas em presídios cariocas

Uma pesquisa feita com presidiários do Rio de Janeiro prova que os presos e presas consomem drogas nas cadeias. Segundo o médico Edison José Biondi, superintendente de saúde da Secretaria de Administração Penitenciária (SEAP), 78% dos homens usavam maconha antes de irem presos. Na cadeia, o consumo caiu para 35%. Entre as mulheres, a dependência é um pouco menor, 72% delas usavam essa droga. Na cadeia, 26% continuavam dependentes. Os dados - colhidos entre agosto de 2002 e março de 2003 - foram divulgados nesta terça-feira.Com relação à cocaína, o segundo entorpecente mais utilizado, 66% dos presos usavam a droga antes da condenação. Depois, o número caiu para 24%. Já as presas consumiam mais fora da cadeia: 77%. No presídio, somente 21% delas admitiram continuar com o vício. A pesquisa revela ainda que 80% dos homens de 18 a 30 anos são condenados por tráfico de drogas. Entre as mulheres, esse crime é responsável por 60% das condenações.Foram ouvidos 1624 homens e 138 mulheres dos presídios Ary Franco (masculino) e Nelson Hungria (feminino). "Antes do nosso trabalho, o único exame criminológico feito com os presos era na hora de eles saírem da prisão. Com a pesquisa, podemos acompanhar a evolução dessas pessoas, desde o momento em que ingressam na prisão até a saída. Isso ajuda a traçar um perfil do apenado e pode ajudá-lo em processos de livramento condicional", disse o médico.Para tratar esses dependentes químicos e ajudá-los a se reintegrarem à sociedade, a secretaria, em parceria com o Ministério Público, vai inaugurar no ano que vem o primeiro centro de tratamento, que terá psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais acompanhando o processo de desintoxicação do interno.

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