Andre Dusek/AE
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Pesquisas deram sinal de alerta para campanha

Queda de Erenice começou a ser desejada pelo comitê no fim de semana, pois petistas avaliaram escândalo como mais explosivo que caso da Receita

Vera Rosa e Tânia Monteiro, O Estado de S.Paulo

17 de setembro de 2010 | 00h00

O governo e o comitê da candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, avaliam nos bastidores que o escândalo envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, da Casa Civil, teria maior potencial de desgaste sobre a campanha petista do que a denúncia da quebra de sigilo fiscal dos tucanos.

Com pesquisas em poder da equipe de Dilma apontando nessa direção, a queda de Erenice começou a ser desejada pelo comitê ainda no fim de semana. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no entanto, não quis demitir a ministra logo que surgiram as primeiras acusações de tráfico de influência e montou uma operação para blindar Dilma.

A situação de Erenice, porém, só piorou com novas denúncias relacionando o filho dela, Israel Guerra, à intermediação de negócios no Planalto, cobrando propina. Apareceram, ainda, evidências de empreguismo da família da chefe da Casa Civil em postos-chaves do governo do Distrito Federal e em repartições da União.

A avaliação do Planalto, diante desse cenário, foi a de que manter Erenice "sangrando" seria muito pior para o governo e para a campanha de Dilma. Na manhã de ontem, Lula não deixou dúvidas de que queria a chefe da Casa Civil fora.

"Um inferno". Em entrevista ao portal IG, pouco antes da conversa definitiva com Erenice, de apenas 10 minutos, ele foi taxativo: "Quando a gente está na máquina pública, não tem o direito de errar. E, se errar, a gente tem de pagar."

Ao presidente Erenice disse que não suportava mais a pressão. "Minha vida virou um inferno", desabafou. "Vou me defender fora do governo."

Antes de se reunir com Lula, a então titular da Casa Civil teve uma conversa de 40 minutos com o ministro Franklin Martins (Secretaria de Comunicação), na residência oficial.

"Nós aprendemos com o caso do Zé Dirceu que não dá para segurar alguém alvejado", resumiu um auxiliar de Lula, numa referência à queda de José Dirceu, abatido da Casa Civil, em 2005, no rastro do mensalão.

Na expectativa de vitória no primeiro turno, o PT fará de tudo para evitar a ação de "aloprados" na reta final da campanha. Pesquisas do comitê de Dilma indicam que o eleitor muitas vezes não entende o que significa a quebra de sigilo fiscal, uma das principais acusações do candidato do PSDB, José Serra, contra a campanha petista. A nomeação de parentes e intermediação de negócios dentro do governo, porém, são assuntos que "pegam".

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