Pessoas atingidas por enchentes no Amazonas receberão auxílio

Até 6 mil famílias vão receber ajuda de R$ 300 para comprar remédios e alimentos; Estado está em emergência

Liège Albuquerque, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 17h14

O governo do Amazonas anunciou nesta quinta-feira, 16, que até o fim deste mês as cerca de 6 mil famílias atingidas pela enchente dos rios devem receber R$ 300 para compra de remédios a alimentos. Os 62 municípios do Estado estão há quase um mês em estado de emergência, sendo os mais atingidos os localizados na calha do Rio Solimões, como Benjamim Constant, Atalaia do Norte e Tabatinga, distantes mais de mil quilômetros da capital.

 

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A enchente no interior da Amazônia é diferente das que ocorrem no sudeste, onde as casas e carros são destruídos e levados por enxurradas. O rio vai subindo a cada dia e os ribeirinhos vão levantando os assoalhos de madeira, até o ponto em que as águas chegam, no linguajar dos caboclos do interior, na "cumeeira das casas", ou seja, próximo ao telhado.

 

"A maioria dos moradores já está acostumada a subir os assoalhos todos os anos, mas neste (ano) estão levantando mais de um mês antes do rotineiro", diz o prefeito de Tabatinga, Saul Bemerguy (PR). Ele diz morar há 20 anos no município e só viu casas alagadas neste período do ano na enchente de 1999, a maior até hoje em Tabatinga.

 

Segundo ele, 24 casas na comunidade Belém do Solimões, área rural do município, já foram abandonadas por seus moradores. "Já não dava mais para levantar o assoalho", destaca. De acordo com o prefeito, mais de 90% da produção agrícola deste mês foi perdida. Uma escola foi parcialmente destruída pela cheias dos rios e os alunos estão tendo aulas numa sala nos fundos de uma igreja.

 

No dia 31 de março, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM), anunciou que as águas do rio Negro, que banha Manaus, devem atingir em média 29,68 metros em junho - apenas um centímetro a menos do que o pico de 1953, 29,69 metros, ano da maior enchente da série histórica do órgão, medida desde 1903. Ontem (15), a régua que mede a profundidade do rio Negro no porto da capital marcava 28,10 metros.

 

Se confirmado, o centro antigo da capital, que fica às margens do Rio Negro, pode ficar em parte submerso. Historiadores destacam que um relógio suíço de 1927 com pedestal de cerca de 15 metros de altura na praça da Igreja da Matriz ficou em parte embaixo d'água na enchente de 1953.

 

Segundo a Defesa Civil Estadual, já há disponíveis cerca de 70 mil cestas básicas para serem distribuídas, além de remédios, cobertores, mosquiteiros, colchões e kits de limpeza. O Exército deverá dar o apoio logístico para a entrega dos kits.

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