Pessoas que venderam seus rins também serão indiciadas

O superintendente regional da Polícia Federal em Pernambuco, Wilson Damázio, disse hoje que as pessoas que venderam seus rins a uma quadrilha internacional de tráfico de órgãos de seres humanos também serão indiciados por crime. ?Eles não são considerados vítimas?, afirmou, uma vez que negociaram seus rins por vontade própria, por dinheiro, participando livremente do comércio de órgãos. Segundo ele, pelo menos 30 pessoas venderam um rim e quase todos estão identificados.Onze pessoas envolvidas no tráfico foram presas ontem. Dez delas no Recife e uma em Bonito, no agreste. O grupo era comandado por dois israelenses, que se encarregavam de levar as pessoas aliciadas para fazer a cirurgia de retirada do rim em Duban, na África do Sul, ganhando entre US$ 6 mil e US$ 10 mil. O restante era de brasileiros. Damázio disse haver indícios de que os estrangeiros têm ficha policial suja. Eles estão sendo investigados.De acordo com a PF, os órgãos retirados não voltavam para o Brasil. A embaixada da África do Sul foi acionada pela Polícia para ajudar a localizar as clínicas e os médicos envolvidos no caso e o destino dos órgãos. Entre os 11 presos, não há médicos, mas Damázio adiantou estar apurando se houve conivência de clínicas e médicos do Recife onde os candidatos faziam exames para verificar boa condição de saúde e compatibilidade sangüínea.Os presos, que estavam na sede da PF, no Recife, foram encaminhados para o Centro de Observação e Triagem em Abreu e Lima, na região metropolitana. Se condenados eles poderão ter penas de até 13 anos de prisão ? por comércio de órgãos e formação de quadrilha.As prisões e mandados de busca em hotéis e residências foram determinados pela juíza federal Amanda Lucena. A polícia Federal trabalhava há nove meses no caso, chamado Operação Bisturi, a partir de uma denúncia anônima. Por determinação da Justiça federal, o processo está sendo mantido em sigilo e os nomes dos envolvidos não são divulgado.

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