Petista critica base tributária 'caótica'

Dilma Rousseff reafirma que uma de suas plataformas de governo será a desoneração dos investimentos no País

Anne Warth / Agência Estado e Roldão Arruda, O Estado de S.Paulo

06 de julho de 2010 | 00h00

A candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, voltou a defender a desoneração integral dos investimentos no País como uma de suas plataformas de governo. A petista classificou o atual sistema tributário brasileiro como "caótico e pouco transparente".

Segundo ela, a redução de tributos que incidem sobre investimentos avançou no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e deve continuar se ela for eleita. "A carga tributária sobre investimentos já diminuiu bastante. O governo federal fez grande desoneração e nós vamos completar essa desoneração."

Em entrevista coletiva, ontem, após participar de almoço com empresários do Grupo de Líderes Empresariais, em São Paulo, Dilma evitou, porém, dar detalhes sobre que tipo de investimento receberá benefícios e quais tributos serão zerados. "Isso é algo extremamente técnico", disse. "Precisamos dar um salto de produtividade. Não há sentido em onerar investimentos quando fazemos esforço enorme para termos crescimento."

Para ela, é preciso reduzir impostos sobre a folha de pagamento. Dilma disse ser uma "perversidade" tributar mais as empresas que mais empregam trabalhadores. "Nesse caso não dá para ir a zero porque senão quebramos a Previdência", afirmou. "O Tesouro terá de entrar com medidas compensatórias." A candidata também se mostrou favorável à redução de impostos sobre remédios e energia elétrica.

Cautela externa. A petista disse considerar "prudente" que governantes e dirigentes políticos "guardem para si" suas opiniões em relação aos governos de outros países. "Devemos nos manifestar diante de golpes de Estado. No restante, há que se ter certa cautela", disse.

A presidenciável não esclareceu, porém, se as declarações faziam referência ao seu adversário, o tucano José Serra, que recentemente criticou os governos do Irã e da Bolívia. "Acho prudente saber que política externa se faz com a cabeça, não com o fígado."

Reeleição. Sobre o futuro, Dilma disse que, se eleita, somente em 2013 decidirá se vai concorrer à reeleição ou se pretende ceder a vaga para que o presidente Lula volte a disputar o cargo. "Quando chegar a hora, a gente discute o assunto. Talvez em 2013 seja a hora de perguntar."

Ela disse ser contra a alteração, para cinco anos, do mandato presidencial, mas afirmou ser favorável à reeleição. "Acho que não é bom ficar mudando mandato no meio do jogo. Deixa ser de quatro anos que está bom. Sou a favor da reeleição", disse. "Antes, achava melhor não ter", admitiu, destacando que dois mandatos consecutivos deram bom resultado no caso do governo Lula.

Bolsa-Família. Ao participar de um ato político organizado pelo PT no município de Santo André, na Grande São Paulo, ontem à noite, Dilma Rousseff defendeu o Bolsa-Família como um programa de transferência de renda pelo qual o governo Lula teve de enfrentar a oposição "que hoje anuncia que vai manter o programa".

"Aqueles que dizem que não vão acabar com o Bolsa-Família são os mesmos que entraram no Supremo Tribunal Federal com uma ação de inconstitucionalidade tentando derrubar o programa", observou a candidata.

A ministra voltou a insistir na comparação entre os governos de Lula e Fernando Henrique Cardoso. "O Brasil de 2002 era o país da estagnação, o país do desemprego e era também o país da desigualdade e hoje podemos olhar nos olhos dos homens e das mulheres e ver a perspectiva do emprego formal com carteira assinada. Neste ano vamos criar mais de 2 milhões de empregos formais", garantiu.

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