Petista critica 'lobos em pele de cordeiro'

Petista critica 'lobos em pele de cordeiro'

Durante encontro do PR, Dilma eleva o tom contra tucanos e diz que 'ninguém quer pé-frio' dirigindo o País

Vera Rosa, O Estado de S.Paulo

06 de abril de 2010 | 00h00

BRASÍLIA

Na primeira atividade partidária desde que deixou o comando da Casa Civil, há seis dias, a pré-candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, subiu o tom contra os tucanos e disse que o povo sabe identificar "lobos em pele de cordeiro". Afirmou, ainda, que "ninguém quer pé-frio nem azarado" dirigindo o Brasil.

Ao participar ontem do encontro do PR, Dilma ensaiou a estratégia a ser adotada por sua campanha: disse e continuará repetindo que quem foi contra o governo durante dois mandatos não pode agora encarnar o pós-Lula. Mesmo sem citar textualmente o PSDB e o ex-governador José Serra, seu futuro adversário na disputa ao Palácio do Planalto, a ex-ministra chamou os tucanos para a briga.

"Aqueles que venderam o nosso patrimônio, que quebraram o Brasil, que deixaram o nosso povo sem salários dignos e sem renda adequada não serão capazes de levar o Brasil adiante", afirmou Dilma.

Aplaudida pela claque do PR, a petista prosseguiu nas estocadas. "Num dia tentam enganar o povo, dizendo que vão continuar o trabalho do presidente Lula. No outro, mostram a patinha de lobo, ao cometer tremendo ato falho, e aí ameaçam acabar com o PAC, com o Bolsa-Família e mudar a política econômica."

O discurso provocou reação dos tucanos. O presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), acusou a petista de "mentir e fazer terrorismo".

Garotinho. Integrante da base aliada e também atingido pelo escândalo do mensalão, em 2005, o PR foi o primeiro partido a anunciar oficialmente o apoio a Dilma. O encontro também serviu para dar posse na presidência do PR ao ex-ministro Alfredo Nascimento - pré-candidato ao governo do Amazonas. Novato no partido, Anthony Garotinho - que disputará o governo do Rio - assumiu a primeira-secretaria.

Recebida aos gritos de "Dilma, Dilma", a ex-ministra parecia à vontade diante da plateia, que lotou o Auditório Nereu Ramos da Câmara. O vereador-cantor Agnaldo Timóteo e o humorista e compositor Juca Chaves, candidato a deputado, ocupavam a primeira fileira.

"Estamos juntos na luta para não deixar que este país retroceda, que a força do atraso volte e traga novamente esse processo que durou mais de décadas, aquele crescimento baixo, o chamado voo de galinha", insistiu a petista. Questionada mais tarde sobre quem era o lobo e o cordeiro, Dilma abriu um sorriso. "Fábulas não são para ser desvendadas. Elas só ilustram certas circunstâncias", despistou.

Em discurso recheado de críticas aos tucanos, a petista lembrou que a oposição sempre disse que Lula tinha sorte. Foi nesse momento que dirigiu mais uma farpa contra Serra. "Sorte a gente tem, é verdade, porque também não queremos nenhum pé-frio nem azarado dirigindo o Brasil."

Sub do sub. Ao recorrer a expressões usadas por Lula, Dilma procurou ostentar a credencial de sua herdeira. Em outra referência velada ao PSDB, disse ser preciso impedir que "aqueles que governaram o País para os ricos" retornem ao poder para "excluir" os mais pobres.

"Não podemos deixar que o Brasil entre na contramão de sua própria grandeza e volte, de cabeça baixa e submisso, a ficar prestando satisfação para o sub, do sub, do sub, seja ele quem for", atacou.

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