Petista nega salto alto e diz que tucano 'não honra a biografia'

Segundo assessoria, candidata deixa claro em todas as entrevistas que jamais se sentou na cadeira presidencial

Carol Pires / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

30 de agosto de 2010 | 00h00

Coletiva. Dilma: 'A gente tem que discutir propostas. Eu não vou rebaixar o nível da discussão'                   

 

 

 

 

 

 

Em Brasília, a assessoria da petista Dilma Rousseff (PT) informou ontem que a candidata jamais "se sentou" na cadeira presidencial e destacou que ela esclarece isso em todas as entrevistas. A afirmação veio em resposta a críticas feitas momentos antes por seu adversário, José Serra, em São Paulo.

Mais cedo, antes do início de uma sessão de gravação de seus programas eleitorais para a TV, Dilma já havia reagido às insinuações de Serra de que, caso eleita, ela seria conivente com movimentos radicais, como o MST. Essas afirmações "não honram a biografia dele", disse Dilma.

"Parece que eles não aprendem. Isso eles já fizeram em 2002. Tentaram ao longo do governo do presidente Lula, sistematicamente, criar um clima de oposição muito acirrada, enfim, de tumulto", declarou.

Dilma disse ainda, na entrevista antes do início das gravações, que Serra tenta "se evadir" do debate de propostas para o País quando diz que a eleição dela seria a "terceirização da Presidência". "Eu acho que esse tipo de declaração é uma forma de se evadir da questão central. A gente tem que discutir propostas. Eu de fato não vou rebaixar o nível da discussão - vou repetir a expressão - nem amarrada."

Cargos. Diante da pressão de aliados, que insistem em tratar dos cargos do futuro governo tendo em vista a vantagem de Dilma nas pesquisas, a candidata afirmou que não trata do assunto. Ao falar sobre propostas para popularização do acesso à internet de banda larga, a petista não quis comentar quem ocuparia a presidência da Telebrás porque seria, de acordo com ela, "colocar o carro na frente dos bois".

"Eu não vou discutir governo, como eu disse para vocês. Seria uma pretensão da minha parte", afirmou. "Qualquer discussão de nomes, da minha parte, e da minha campanha, é factoide. Eu desautorizo todas as especulações sobre quem quer que seja ocupar qualquer cargo que seja. Porque nós não achamos isso politicamente correto, é colocar o carro na frente dos bois."

Segundo Dilma, nenhum partido político a procurou para falar sobre nomeações. "Até agora, para mim, essa questão só chegou pela imprensa."

A tentativa do ex-ministro José Dirceu de evitar que o também ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci assuma a Casa Civil no possível governo de Dilma, conforme revelou o Estado, é, segundo a candidata, "um factoide". "A coordenação da campanha está aqui presente, nenhum de nós autoriza isso (discussão de cargos)."

São Paulo. Nesta semana, Dilma tem agenda em São Paulo hoje e quarta-feira. Na quinta-feira, vai a Foz do Iguaçu (PR) e, na sexta-feira, a Canoas (RS). Ela deve tirar um ou dois dias de folga nos próximos dias, quando nascer o seu primeiro neto.

Defesa

DILMA ROUSSEFF

CANDIDATA DO PT

"Parece que eles não aprendem. Isso eles já fizeram em 2002. Tentaram ao longo do governo do presidente Lula criar um clima de oposição muito acirrado, enfim, de tumulto"

"Eu acho esse tipo de declaração uma forma de se evadir da questão central"

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