Petista recusa apoio de governador de MS

Pucinelli, do PMDB, pediu uma conversa com Dilma na semana passada, mas ela não o recebeu

Andrea Jubé Vianna, O Estado de S.Paulo

16 Outubro 2010 | 00h00

Num momento tenso da corrida presidencial, em que assiste ao avanço do adversário nas pesquisas e tenta conter um movimento de debandada de aliados, a presidenciável do PT, Dilma Rousseff, rejeitou o apoio do governador reeleito de Mato Grosso do Sul, André Puccinelli (PMDB). Segundo fontes, ele esteve em Brasília na semana passada num gesto de aproximação e pediu uma conversa com a candidata, mas ela não o recebeu.

Mato Grosso do Sul não possui um eleitorado expressivo, são 1,7 milhão de eleitores. No entanto, num cenário em que a disputa presidencial recomeça do zero por causa do segundo turno, aliados do PMDB acham que Dilma errou ao não aceitar conversar com Puccinelli.

Além disso, há um fator simbólico. Nas duas últimas eleições em que saiu vitorioso, o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva perdeu para o PSDB em Mato Grosso do Sul. No Estado, o PMDB é aliado histórico dos tucanos, tanto que o PSDB compõe a coligação de apoio a Puccinelli.

Mas diante do favoritismo de Dilma e da elevada popularidade do presidente Lula, Puccinelli não pediu votos para José Serra (PSDB) no primeiro turno, buscando a neutralidade. Também para atender ao apelo do presidente do PMDB, Michel Temer, vice na chapa de Dilma.

Agora, com a recusa de Dilma e diante da projeção de Serra na disputa, Puccinelli voltou ao Estado prometendo fazer campanha para o tucano. Em Mato Grosso do Sul, Dilma perdeu para Serra por três pontos porcentuais. O tucano obteve 42% dos votos válidos e ela, 39%.

Um interlocutor do governador atribui a pressões do grupo do ex-governador Zeca do PT, derrotado por Puccinelli, a atitude de Dilma. No primeiro turno, ela visitou o Estado e participou de um comício ao lado do presidente Lula e juntos pediram votos exclusivamente para Zeca.

Para lideranças políticas, o apoio dos governadores eleitos na segunda etapa da eleição presidencial é um trunfo indispensável, porque eles saem fortalecidos das urnas. Puccinelli Conseguiu se reeleger com 56% dos votos válidos, ante 42% de Zeca do PT.

Na última quarta-feira, Zeca liderou o lançamento de uma frente pluripartidária, com líderes de 55 dos 78 municípios do Estado, de apoio a Dilma.

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