Petista tem espaço para ganhar 19 pontos

Cruzamentos da pesquisa CNI/Ibope obtidos pelo Estado mostram que Dilma Rousseff (PT) ainda tem potencial para crescer, teoricamente, até 19 pontos porcentuais à custa da popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Isso na hipótese de ela conseguir conquistar todos os eleitores que, mesmo sem saber quem é o candidato do presidente, preferem votar nele.

Análise: José Roberto de Toledo, O Estadao de S.Paulo

18 de março de 2010 | 00h00

Hoje, segundo o Ibope, só metade do eleitorado predisposto a votar no candidato apoiado por Lula declara voto em Dilma. A razão desse descompasso é o desconhecimento, por parte de um em cada quatro desses eleitores pró-Lula, de que a ministra é a candidata do presidente.

Do total do eleitorado, 53% afirmaram ao Ibope que preferem votar em um candidato a presidente que tenha o aval de Lula. Nesse segmento, metade declarou voto em Dilma, o que explica 27 dos 30 pontos porcentuais de intenção de voto obtidos pela petista.

O potencial de crescimento de Dilma está na outra metade, principalmente nos 39% que preferem um candidato apoiado por Lula, mas não sabem quem ele é. Descontando-se a pequena parcela que já declara voto na ministra mesmo ignorando ser ela a candidata do presidente (8%), chega-se a um potencial de crescimento de 19 pontos porcentuais para Dilma.

Claro que isso é um exercício teórico e nem todos os eleitores vão simpatizar automaticamente com Dilma quando descobrirem que ela é a candidata de Lula. Na verdade, a ministra terá mais dificuldades para conquistar esses eleitores, porque a maioria deles já declara preferência por outros candidatos.

Dos 39% que não sabem ser ela a presidenciável de Lula e votariam preferencialmente no candidato dele, a maior parte (43%) declara voto em José Serra (PSDB). Outros 19% preferem Ciro Gomes (PSB), 6% optam por Marina Silva (PV) e 24% são sem candidato (não sabem, não responderam ou pretendem anular/votar em branco).

Outros cruzamentos da pesquisa CNI/Ibope indicam que o crescimento obtido até agora por Dilma ocorreu principalmente no eleitorado simpatizante do PT e mais permeável à propaganda do partido. Daqui para frente a candidata enfrentará um terreno mais duro, tendo de "roubar" eleitores de outros candidatos.

Essa hipótese de crescimento de Dilma também depende de Lula conseguir manter a economia e o consumo acelerados, e, por consequência, sua popularidade em alta. Qualquer oscilação negativa na aprovação do governo reduziria o potencial de crescimento da candidata do PT.

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