Petistas atribuem queda no Estado ao caso Erenice

Avaliação é de que escândalo ressuscitou na classe média paulista fantasmas da crise de 2005 e 2006

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

05 Outubro 2010 | 00h00

Ainda tentando superar a ressaca provocada pela derrota eleitoral em São Paulo, dirigentes petistas que coordenaram as campanhas ao governo estadual e à Presidência discutiram ontem as razões que levaram a sigla a perder no Estado porcentual significativo de votos na reta final. O PT avalia que esse diagnóstico é fundamental para evitar a repetição de erros no segundo turno.

O candidato derrotado ao governo do Estado, Aloizio Mercadante, participou do encontro, no diretório estadual do PT. A avaliação preliminar de parte dos petistas é que os escândalos sobre tráfico de influência na Casa Civil, envolvendo a ex-ministra Erenice Guerra, demoveram prováveis eleitores de votar no PT. Dirigentes do partido acreditam que o escândalo ressuscitou entre a classe média paulista mais conservadora (que é distinta da classe média do chamado pós-Lula) os fantasmas da crise petista de 2005 e 2006.

O PT já tinha pesquisas qualitativas, na reta final da campanha, que apontavam que a crise do mensalão era um fantasma que estava latente. As inserções do PSDB que vinculavam Dilma ao ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, por exemplo, acenderam a luz vermelha na campanha petista. A associação entre Dirceu e Dilma, mostravam as pesquisas qualitativas, tiveram resultado negativo para o PT.

"Eles bateram onde sabiam que teriam uma resposta rápida", afirmou o presidente do PT de São Paulo, Edinho Silva. Para ele, o caso Erenice "ressuscitou a crise de 2005 e 2006".

Em avaliação feita por parte do PT, o caso Erenice despertou a desconfiança de eleitores que estavam dispostos a dar uma segunda chance ao partido, mas ficaram desanimados ao ver petistas novamente mergulhados em escândalos, avaliam coordenadores das campanhas.

Segundo dirigentes da sigla, a retomada dessa desconfiança no partido pode explicar a migração em massa de votos desta classe média para Marina Silva (PV), além de ter ajudado o tucano José Serra a consolidar seu eleitorado. Esse movimento também teria retirado, segundo Edinho Silva, votos de Mercadante na disputa estadual.

Medo. "Houve uma reação orquestrada, típica do PSDB e semelhante ao que fizeram em eleições passadas, quando tentaram afirmar que o Brasil viraria uma Argentina se Lula vencesse as eleições", afirmou Mercadante. Segundo ele, José Serra optou por uma "agenda indefensável" e por uma campanha em que tentou "induzir o medo e a insegurança", questionando qualidades éticas e gerenciais de Dilma.

"Mas mesmo com os ataques que Serra fez, quem subiu foi a Marina", ironizou Mercadante.

Outro aspecto já admitido abertamente pelo PT que explicaria o resultado da corrida presidencial e no Estado foi o voto de evangélicos e católicos em protesto contra qualquer tentativa de legalização do aborto. Segmentos religiosos identificaram no PT uma plataforma favorável à descriminalização do aborto e à união civil homossexual.

Tarefas. A reunião de ontem, além de fazer um diagnóstico da derrota, teve como objetivo distribuir tarefas e definir novos papéis e estratégias para a disputa de segundo turno entre Dilma Rousseff e José Serra.

O partido fará uma ofensiva junto a líderes religiosos católicos, evangélicos e pentecostais. Além disso, quer garantir o engajamento de sindicalistas no segundo turno. Um dos nomes lembrados é o de Gabriel Chalita (PSB), terceiro mais votado do País para deputado federal e o segundo mais votado do Estado. Católico e eleitor de Dilma, Chalita poderá ser chamado a auxiliar na interlocução com a Igreja.

Em outra frente, os petistas querem garantir o voto de sindicalistas e o engajamento de centrais na campanha no segundo turno. Dilma poderá ser obrigada a fazer sinalizações mais concretas a esse segmento.

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