Petistas criticam uso eleitoral de escândalo do dossiê

O governador eleito da Bahia, Jaques Wagner (PT), defendeu neste sábado punição para os eventuais membros do seu partido que tenham sua participação comprovada no escândalo do dossiê Vedoin. "Eu não tenho medo de dizer que os petistas que erraram têm de pagar o preço, porque deram prejuízo à sociedade e ao PT", disse ele. Wagner acredita que qualquer nova revelação sobre o caso não deverá modificar o resultado das eleições no dia 29 de outubro e se mostrou confiante na vitória de Lula. Ele também criticou a atitude da oposição, que tem procurado usar o episódio com "fins eleitoreiros, tentando denegrir a imagem do presidente". "Por mais que eles tentem fazer o link, essa idéia de que Lula é trapaceiro e desonesto não cola. O povo já identificou que não é do mundo do presidente Lula esse tipo de comportamento", disse o petista. O governador quer uma investigação profunda do caso Vedoin, mas sem apelo eleitoral. "A investigação tem de ir até o final. Eu creio que, após cerca de um ano e dois meses de denúncias, o povo brasileiro já sabe separar o que é investigação para sanear a vida pública do que é utilização eleitoreira." Uso político do dossiêJá o deputado federal Aldo Rebelo (PCdoB-SP) criticou, no mesmo dia, o uso político da investigação do dossiê Vedoin pela oposição. O parlamentar defendeu, assim como Wagner, que as investigações sejam levadas até o fim e disse que a oposição tira conclusões precipitadas, e ainda acusa membros do PT e do governo sem provas. "Fazer avaliação política de uma investigação policial é uma coisa muito complicada. Tirar dela qualquer desdobramento político é perigoso. É preciso deixar que a investigação seja concluída. Todos os brasileiros esperam que as pessoas envolvidas sejam identificadas e punidas", afirmou ele.Ao comentar as últimas notícias de que o chefe de gabinete do presidente Lula, Gilberto Carvalho, teria telefonado ao ex-chefe do núcleo de risco e mídia da campanha pela reeleição de Lula, Jorge Lorenzetti, no dia 15 de setembro (mesmo dia em que dois petistas foram presos pela tentativa de compra do dossiê) e também a citação do nome do ex-ministro da casa Civil José Dirceu no caso, Rebelo afirmou que ainda não existem provas sobre o envolvimento de ambos no episódio. "Ainda não se chegou a nenhuma conclusão a respeito do envolvimento dessas pessoas. Isso é uma leitura política de quem tem interesse político, o que eu considero normal, mas não aconselhável", declarou, referindo-se às acusações feitas pela oposição em torno de Dirceu e Carvalho.O governador eleito de Sergipe, Marcelo Déda (PT), também criticou o uso da investigação da polícia federal como arma política pelo PSDB. "Sabemos que nossos adversários vão tentar transformar este episódio para evitar o desastre eleitoral", disse. Ao ser questionado se a citação dos nomes de Gilberto Carvalho e José Dirceu no caso Vedoin incomodava ao partido, Déda disse que é preciso primeiro levantar provas contra eles.

Agencia Estado,

21 de outubro de 2006 | 19h28

Tudo o que sabemos sobre:
eleiçõeseleições 2006

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.