Andre Dusek/AE-3/8/2010
Andre Dusek/AE-3/8/2010

Petistas já discutem troca de comando

Afastamento temporário de José Eduardo Dutra, aliado de Dilma, da presidência do PT dá início às articulações para sua substituição

Vera Rosa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

26 Abril 2011 | 00h00

O afastamento de José Eduardo Dutra da presidência do PT, desde 22 de março, deflagrou nos bastidores uma disputa interna por sua sucessão e atiçou o grupo do ex-ministro da Casa Civil José Dirceu, já descontente com a condução do partido. Com problemas de saúde, Dutra está licenciado do cargo e não avisou ao PT se deixará definitivamente a direção do partido, embora tenha admitido a renúncia em conversas reservadas.

O Palácio do Planalto fará de tudo para manter Dutra no comando do PT. No partido, é ele o interlocutor de confiança tanto da presidente Dilma Rousseff como de seu antecessor Luiz Inácio Lula da Silva, que tem capitaneado as articulações para as eleições municipais de 2012.

Lula desautorizou os movimentos para substituir Dutra. Não admite discutir a sucessão no PT antes da hora e tem esperança na volta do afilhado político. "A orientação é para ninguém mexer nisso agora. Não podemos agir como urubus", disse um petista que esteve com Lula.

O ex-presidente deve conversar com Dutra hoje ou amanhã, no Rio. Quer saber o real estado de saúde do amigo - portador de forte depressão, agravada por transtorno de ansiedade - antes que ele tome a decisão final sobre seu destino político.

A contrariedade de Lula não é à toa. Desde o fim de março, petistas da corrente majoritária Construindo um Novo Brasil (CNB) - a mesma que ele integra, com Dirceu e o próprio Dutra - discutem a troca do presidente do PT, que tem mandato até 2013. Até agora, o mais citado para ocupar a cadeira, em caso de renúncia, é o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).

A possível saída de Dutra, no entanto, vem assanhando as outras correntes que ajudaram a elegê-lo. Além da CNB, o presidente do PT recebeu o apoio das tendências Novos Rumos e Partido de Luta e de Massas. Sem acordo em torno de Costa, amigo de Dutra, parte do grupo de Dirceu fala no ex-ministro Luiz Dulci, que hoje trabalha com Lula. O assessor de Assuntos Internacionais da Presidência, Marco Aurélio Garcia, que já comandou o PT durante o escândalo dos aloprados, em 2006, também é mencionado. Garcia, porém, tem veto de uma ala da CNB que não o considera aliado de Dirceu. Dulci, por sua vez, não quer dirigir o partido. Vice-presidente do PT, o deputado estadual Rui Falcão está no comando da sigla desde 22 de março, mas avisou não ter intenção de continuar no posto.

Qualquer nome, no entanto, terá de passar pelo crivo do Planalto e de Lula. Se Dutra não retornar ao cargo nesta semana, o assunto promete esquentar a reunião da Executiva Nacional do PT, na quinta-feira, e do Diretório, na sexta e no sábado. Mesmo assim, nenhuma substituição será decidida agora.

Os mais próximos a Dirceu nunca esconderam as críticas a Dutra, definido por eles como "sem pulso" e "ineficaz" no atendimento às reivindicações do PT por cargos e na defesa da reforma política. Logo depois que o presidente do PT pediu licença pela primeira vez, o grupo de Dirceu promoveu uma reunião, em Brasília, para discutir a possibilidade da sucessão. No diagnóstico desses petistas, o partido está a reboque de Dilma e sem interlocução com o Planalto.

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