Petistas pressionam procurador no caso do desvio de verbas em Campinas

Deputados do PT têm audiência com Fernando Grella e pedem explicações sobre acusação contra nomes do partido na investigação

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

25 de maio de 2011 | 00h00

Em estado de alerta com os rumos da investigação que coloca nomes ligados ao partido no centro de suposto esquema de corrupção e desvio de verbas públicas na Prefeitura de Campinas (SP), o PT partiu para o tudo ou nada e bateu às portas da Procuradoria-Geral de Justiça. Cinco deputados da bancada estadual da sigla se reuniram ontem à tarde com Fernando Grella Vieira, o procurador-geral.

Eles disseram aos repórteres, à saída da audiência, que o partido não vai admitir "especulações políticas" em torno do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, citado em escuta telefônica da inteligência do Ministério Público em meio à devassa na gestão do prefeito de Campinas, Dr. Hélio (PDT) - amigo de Lula.

O encontro com o procurador-geral durou 40 minutos. Os deputados pediram explicações sobre os motivos do requerimento de prisão temporária do vice-prefeito, Demétrio Vilagra (PT), foragido. "Apoiamos irrestritamente a investigação, mas não existe um único dado que justifique o pedido de prisão do companheiro Demétrio, que tem uma história vinculada aos movimentos sociais e não pode ser condenado publicamente", protestou o deputado Edinho Silva, presidente estadual do PT.

Grella não recuou. Ele asseverou aos parlamentares "irrestrito apoio ao trabalho firme, sereno e imparcial desenvolvido pelos membros do Ministério Público no sentido do esclarecimento da verdade e da correta aplicação da lei, em cumprimento ao papel da instituição".

A interceptação em que o nome de Lula é citado faz parte de relatório do Ministério Público à Justiça. Um diálogo entre um advogado e Luiz Castrillon de Aquino, ex-presidente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), foco da corrupção, segundo a promotoria. Eles citam o nome do empresário e pecuarista José Carlos Bumlai, amigo e anfitrião do ex-presidente - ele recebe rotineiramente Lula em suas fazendas no Mato Grosso do Sul. Os dois interlocutores dizem que Bumlai estaria disposto a fazer "delação premiada para proteger Lula".

"É uma acusação infundada, até criminosa", reagiu o advogado Mário Sérgio Duarte Garcia, defensor de Bumlai. Guilherme, filho do empresário, está indignado. "Vamos tomar as medidas judiciais cabíveis. Meu pai jamais esteve com as pessoas citadas."

Especulação. "É um atentado ao Estado democrático de Direito fazer especulação sobre alguém que comentou, que falou algo por ouvir dizer", protesta Edinho Silva. "O pior que pode acontecer é a especulação política. É um desrespeito ao Lula, um presidente que saiu da administração pública reconhecido pela grande maioria do povo brasileiro. Amanhã isso vai virar regra e a sociedade vai ficar toda exposta a esse tipo de situação."

Acompanharam o presidente da sigla os deputados Enio Tatto, líder do PT na Assembleia, Antonio Mentor, Ana Perugini e Gérson Bittencourt. Eles garantiram que não foram pressionar o chefe do Ministério Público. "O procurador-geral não se submete a pressões, viemos buscar mais esclarecimentos", disse Edinho. "O que o PT não aceita é a execração, a exposição pública do nosso companheiro que não tem ligação com os fatos em apuração. Não se deve partidarizar uma investigação."

ITV. O Instituto Teotônio Vilela (ITV), do PSDB, associou a crise envovelndo o ministro Antonio Palocci às fraudes em Campinas. O ITV diz que Palocci e a "máfia de Campinas" são "faces de uma mesma moeda: a que busca garantir que os cofres do PT sejam permanentemente irrigados para financiar o projeto de poder do partido." Intitulado "Tropa do Cheque", o texto no site do ITV diz que falta convicção ao governo na defesa da lisura das atividades público-privadas de Palocci.

COLABOROU DAIENE CARDOSO

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