Petistas travam disputa por cargo na Câmara

Rachada desde escolha de Marco Maia como candidato à presidência da Casa, bancada vive clima tenso entre ''mensaleiros e não mensaleiros''

Denise Madueño e Eugênia Lopes, O Estado de S.Paulo

05 de fevereiro de 2011 | 00h00

A bancada do PT na Câmara está em pé de guerra. De um lado estão os aliados do recém-eleito presidente da Casa, Marco Maia (RS). Do outro, o grupo ligado a Cândido Vaccarezza (SP), reconduzido à liderança do governo pela presidente Dilma Rousseff. O principal alvo da disputa é a presidência da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Estão no páreo os deputados João Paulo Cunha (SP), apoiado pelo grupo de Vaccarezza, e Ricardo Berzoini (SP), defendido por aliados de Maia. Adversários de João Paulo o acusam de buscar "proteção" na presidência da CCJ. O deputado é réu do escândalo do mensalão, que deve ser julgado pelo Supremo Tribunal Federal este ano. A CCJ é fundamental para a tramitação de projetos de interesse do Judiciário.

As relações pioraram após a escolha de Maia para concorrer à presidência da Câmara, expondo a disputa dentro da corrente Construindo um Novo Brasil (CNB), da qual o gaúcho e Vaccarezza fazem parte. Membros da bancada definem essa divisão como "mensaleiros versus não mensaleiros". O grupo contrário à indicação de João Paulo alega que a bancada não pode "carregar o peso" de ter um réu do mensalão comandando a CCJ.

Por sua vez, a turma de Vaccarezza acusa Berzoini e seus aliados de serem "rebeldes", já que não conseguiram emplacar ninguém nos cargos mais importantes do governo. Os petistas de Minas, por exemplo, cobram um lugar para o ex-ministro Patrus Ananias.

Clima. Durante a campanha de Maia à presidência da Câmara, o clima de animosidade aumentou. Vaccarezza viajou para o exterior e foi acusado de não trabalhar pelo colega. Para agravar, Dilma manteve o líder do governo, surpreendendo os aliados de Maia. Eles também se irritaram com a deferência ao líder: na noite de terça-feira, Dilma ligou para Vaccarezza para avisá-lo da publicação, no dia seguinte, de sua recondução à liderança do governo. Maia só recebeu felicitações pela eleição na quarta-feira.

O racha na corrente de Maia e Vaccarezza tem sido alimentado por outras tendências do PT. O gaúcho foi escolhido pela bancada com apoio do Movimento PT, que tem entre seus expoentes o ex-presidente Arlindo Chinaglia (SP), e da corrente Mensagem, do líder Paulo Teixeira (SP). Se a parceria se repetir, João Paulo não terá votos para ser indicado.

As indicações para as comissões serão discutidas na terça-feira, em seminário do PT. No primeiro dia do evento, na segunda-feira, são esperados os ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Luiz Sérgio (Relações Institucionais) e do presidente do partido, José Eduardo Dutra.

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