Petrelluzzi: não negocio com bandidos

Sem negociação. "Bandido com arma na mão, a gente enfrenta com arma na mão", disse o secretário estadual de Segurança Pública de São Paulo, Marco Vinicio Petrelluzzi.Segundo ele, o Primeiro Comando da Capital (PCC) está "mudando o seu discurso", reivindicando os direitos de presos apenas como forma de evitar a reação contrária dos demais detentos que se sentiram prejudicados pelo motim patrocinado pela facção."Acho que a imprensa não deve dar voz a uma organização criminosa, pois a ameaça para ser eficaz precisa ser veiculada" afirmou o secretário. "Estou fazendo uma crítica democrática e respeitosa à mídia. É preciso isolar esse tipo de gente."Segundo ele, as exigências do PCC não têm respaldo social. "Com quadrilha de bandido não tem conversa. O governo está enfrentando esses marginais com a dureza que a lei permite."Petrelluzzi disse que nunca negou a existência de bandidos no Estado e de telefones celulares nas prisões. "Mas a maioria dessas quadrilhas está presa. É obrigação do secretário impedir o crime, mas não vou conseguir impedir que todos os crimes aconteçam."TransferênciaO secretário da Administração Penitenciária, Nagashi Furukawa, manteve nesta quarta-feira sua posição de não atender às exigências do PCC, principalmente a remoção de José Ismael Pedrosa da direção do Centro de Readaptação Penitenciária (CRP), diretor do presídio de segurança máxima anexo à Casa de Custódia de Taubaté. Furukawa afirmou, por meio de sua assessoria, que não iria responder às ameaças lançadas pelo PCC. Além da saída de Pedrosa, o grupo está reivindicando, agora, o cumprimento da legislação que concede benefícios aos presos. Segundo a Pastoral Carcerária essa seria uma forma de o grupo tentar angariar simpatia entre a maioria dos presos. Furukawa mandou dizer ainda que não negocia com organizações, embora converse com presos e escute reclamações de detentos nas visitas que faz às penitenciárias do Estado.O governo não abre mão da disciplina no sistema prisional e continuará sua política de isolar no CRP os líderes de facções. No dia 16, a secretaria mandou cinco líderes do PCC para o CRP. Eles eram suspeitos de ordenar a morte de cinco presos na Casa de Detenção de São Paulo, no Carandiru. Outros quatro líderes foram retirados da Detenção e enviados a penitenciárias do interior. Da Penitenciária do Estado, também no Carandiru, a secretaria retirou Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, e o mandou para um presídio no Rio Grande do Sul. As transferências provocaram o motim simultâneo em 29 unidades prisionais no Estado.PrisãoPaulo Rafael Ferreira Lima, de 19 anos, foi preso nesta quarta-feira tentando jogar 305 gramas de maconha e uma peruca para dentro da Casa de Detenção, no Carandiru, na zona norte de São Paulo.

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