Petrobrás remove tanques de S. Caetano

Empresa transfere terminal para Mauá, também na região do ABC

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

27 de junho de 2009 | 00h00

Problema para moradores do Bairro Barcelona, em São Caetano do Sul, há mais de 40 anos, os reservatórios de combustíveis da Petrobrás vão ser transferidos para a cidade de Mauá, também no ABC. Por causa dos tanques, caminhões circulam e estacionam nas ruas vizinhas ao Terminal de Transporte de São Caetano para carregar gasolina, óleo diesel, álcool, gás liquefeito de petróleo (GLP) 24 horas por dia, sete dias por semana. Sem contar o perigo de acidentes numa área cheia de imóveis de classe média alta. Agora, os 21 tanques vão começar a ser transferidos para uma área na região do Polo Petroquímico em Mauá, e também para um novo terminal que será construído ao lado da Refinaria de Capuava (Recap). A Secretaria Estadual do Meio Ambiente já deu licença prévia para a execução do que a Petrobrás chama de Plano Diretor de Dutos (PDD), que inclui a desativação de reservatórios em áreas densamente urbanizadas. Entretanto, o PDD não define o que será feito no local a ser desativado. A data limite para conclusão do trabalho é 2013. Parte das atividades locais vai para Guararema e Guarulhos. Nessa última cidade será construído um laboratório para análises de qualidade de produtos.No Bairro Barcelona vão continuar todas as estações de medição e de faturamento de combustíveis e de GLP. A prefeitura de São Caetano, cidade com 151 mil habitantes, tem na Petrobrás grande fonte de arrecadação, o que torna o terminal importante para manter o nível de investimentos na cidade. O município detém o maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do País. O IDH, calculado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), é baseado na renda, longevidade e educação. O terminal da cidade é responsável por 32% da arrecadação de impostos em São Caetano, de acordo com a Secretaria Municipal da Fazenda. Em 2008, a administração registrou arrecadação de R$ 264 milhões em ICMS originado na movimentação do terminal da companhia petrolífera. Já a prefeitura de Mauá, segundo a Secretaria de Comunicação, prefere não se manifestar sobre o assunto, alegando não ter informações detalhadas do projeto da Petrobrás.Em Mauá haverá aumento do tráfego pesado, poluição - mas também existe a previsão de crescimento na arrecadação de impostos, uma vez que o novo terminal a ser construído movimentará a economia do município. O PDD prevê a construção de um parque de carregamento para caminhões-tanque em terreno de aproximadamente 1 km², composto por 11 baias com capacidade para cerca de 80 carregamentos durante período de oito horas de operação. Nesse local serão movimentados petróleo, gasolina, óleo diesel, GLP, nafta petroquímica e óleo combustível. "Espera-se principalmente um aumento na arrecadação de impostos ligados à circulação de mercadorias e serviços (ICMS), à compra de produtos industrializados (IPI) e à prestação de serviços (ISS)", destaca o PPD.Na área vizinha ao Terminal de São Caetano há enorme ocupação urbana. São residências e prédios de apartamento de classe média alta, além de indústrias que ficam ao lado de linha da CPTM. O objetivo da desativação, explica a Petrobrás, é reduzir as interferências com as comunidades vizinhas em regiões de grandes concentrações urbanas.

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