Petrópolis ainda espera verba para reconstrução

Vinte e dois dias após o início das chuvas que deixaram 50 mortos e mais de mil desabrigados em Petrópolis, na região serrana do Rio, a prefeitura municipal ainda aguarda um comunicado oficial de Brasília sobre a liberação de verbas federais, prometidas para a reconstrução da cidade imperial. O presidente Fernando Henrique Cardoso visitou o município no dia 27 de dezembro para conhecer os estragos causados pelo temporal. Na ocasião, recebeu do prefeito Rubens Bomtempo (PSB) um relatório que estimava em R$ 62,5 milhões o custo para a recuperação da cidade, a mais atingida pelas chuvas no Estado. No mesmo dia, o presidente prometeu liberar recursos "dentro do que for razoável no orçamento". Até agora, porém, apesar do anúncio de que seria baixada medida provisória liberando verbas para os municípios fluminenses atingidos pela chuva, Petrópolis não recebeu um centavo, de acordo com a prefeitura.Das pessoas que perderam suas casas em conseqüência de deslizamentos de terra, 813 continuam instaladas em abrigos provisórios montados em escolas públicas da cidade. Ainda sob a vigência do estado calamidade pública, Petrópolis não terá carnaval no mês que vem - a festa foi adiada para junho.O prefeito cobra urgência do governo federal e reclama da "morosidade da burocracia" na liberação de verbas, lembrando que o verão está apenas no início e que um novo temporal pode deixar mais vítimas. Ele teme que se repita o atraso ocorrido em 1988, quando uma tempestade provocou enchentes e vários deslizamentos de terra no município, resultando em 178 mortes e quatro mil desabrigados. Bomtempo conta que, apesar do balanço trágico, os recursos para a reconstrução do município só começaram a chegar em 1993. Ainda assim, segundo ele, não houve previsão para projetos de habitação popular e de reflorestamento.De acordo com a prefeitura, até agora a cidade só recebeu ajuda financeira do governo do Estado: Anthony Garotinho, do mesmo partido de Bomtempo, autorizou o depósito de R$ 1 milhão em verbas emergenciais e anunciou a liberação, no mês que vem, de recursos para a construção de mil casas populares e obras de contenção de encostas. Em Petrópolis há 2,5 mil famílias vivendo em áreas de risco, segundo levantamento da prefeitura. Procurado para comentar o repasse de verbas, o ministro da Integração Nacional, Ney Suassuna, não havia atendido a reportagem até o final da tarde.

Agencia Estado,

14 de janeiro de 2002 | 17h47

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