FABIO MOTTA/ESTADÃO
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Pezão diz que deu ordem para não intervir na Rocinha

O motivo da determinação teria sido evitar a morte de civis; o conflito deixou três mortos e três feridos

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

20 de setembro de 2017 | 15h28

RIO - O governador do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), afirmou nesta quarta-feira, 20, que soube na madrugada do domingo, 17, que haveria na Rocinha um confronto entre traficantes, mas ordenou que a polícia não interviesse. O motivo da determinação teria sido evitar a morte de civis. O conflito deixou três mortos e três feridos, e a omissão da PM foi muito criticada, por ter supostamente facilitado a ação dos criminosos. A comunidade vive desde então dias tensos, que incluem toque de recolher imposto pelos traficantes.

“Eu mesmo fui consultado de madrugada pelo Wolney (Dias, comandante da PM) e o (Roberto) Sá (secretário de Segurança) e pedi para ter muita cautela. Conheço muito a Rocinha. O dia que tem mais gente na rua é no domingo. Se a gente reage, seria uma guerra onde morreriam muitos inocentes. Tem que ver o momento de entrar. E será que numa volta do Rock in Rio era hora de entrar e ir para o confronto ali?", disse Pezão em entrevista ao vivo na Rede Globo.

Pezão afirmou também que não considerou necessária a atuação das Forças Armadas na Rocinha. O peemedebista declarou que os militares serão chamados a ajudar se for necessário.“Se precisar, nós vamos utilizar, como nós já utilizamos em três operações. Não precisamos porque estamos com o Bope (Batalhão de Operações Especiais) e o Choque lá”, afirmou.

A declaração do governador ocorreu em meio a desentendimentos entre o Estado e o Ministério da Defesa sobre o planejamento das ações das forças de segurança integradas. Há um mês que não ocorrem operações integradas entre as forças federais e estaduais. O ministro Raul Jungmann (Defesa) criticou a comunicação entre os dois órgãos e afirmou que, diferentemente do que fora divulgado, há dinheiro para financiar as operações.

Sem citar Jungmann, Pezão negou o desentendimento e disse que fala permanentemente com o ministro da Justiça, Torquato Jardim. Porém, admitiu que fazer o planejamento integrado é “difícil” e declarou que “às vezes pode haver algum desencontro”.

“Pode existir alguma diferença, alguma ação que pode ter atrasado. Isso é natural desse processo. Essa atuação é uma situação nova”, afirmou.

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