PF acha dinheiro enterrado na casa de promotora do DF

Investigação que apura ligação de Deborah Guerner com 'mensalão do DEM' apreendeu R$ 280 mil, em notas embaladas a vácuo, no quintal

Rodrigo Rangel / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

17 de junho de 2010 | 00h00

Em mais uma frente da investigação que mapeou o chamado "mensalão do DEM" em Brasília, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigam empresas de coleta de lixo, suspeitas de pagar propina a políticos do Distrito Federal e de mais três Estados - Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia.

Na segunda-feira, agentes federais apreenderam dinheiro enterrado no jardim da casa de uma promotora suspeita de integrar o esquema, além de documentos e computadores nos escritórios de dez empresas e em residências de outros funcionários públicos.

A nova vertente da investigação surgiu no curso do inquérito que apura a eventual participação de Deborah Guerner, do Ministério Público do Distrito Federal, no escândalo que derrubou José Roberto Arruda do governo do DF.

Na casa da promotora, no Lago Sul de Brasília, os policiais acharam, dentro de um cofre enterrado no quintal, o equivalente a R$ 280 mil em notas de reais, dólares e euros. O dinheiro estava embalado a vácuo. Junto dos maços plastificados havia CDs e três discos rígidos de computador.

O cofre estava enterrado no jardim, a 40 centímetros da superfície, debaixo de uma mangueira. Em outro cofre, dentro da casa, foram encontrados mais dois discos rígidos. Os agentes também apreenderam centenas de páginas de documentos.

Ambulância. As buscas na residência de Deborah Guerner duraram o dia inteiro. Bem no meio da ação policial, foi preciso acionar uma ambulância do Samu: a promotora - que, em processo administrativo no Ministério Público, alega estar com problemas psicológicos - despiu-se na frente dos agentes. Ela teve de ser sedada.

Deborah Guerner passou a ser investigada após o delator do "mensalão do DEM", Durval Barbosa, acusá-la de receber propina para blindar Arruda em investigações do Ministério Público. A acusação de Barbosa se estende a Leonardo Bandarra, o procurador-geral do DF, de quem Deborah era braço direito.

A partir dos depoimentos de Barbosa, tanto a promotora quanto Bandarra passaram a ser investigados. O inquérito contra ela corre no Tribunal Regional Federal da 1.ª Região. Ao longo da investigação, o rol de suspeitas foi se ampliando.

Apurando a denúncia de que Deborah Guerner teria agido também em favor de empresas de lixo contratadas pelo governo do DF, os encarregados do caso acabaram por abrir a nova frente de investigação.

O primeiro elo era familiar: o marido da promotora, Jorge Guerner, é proprietário de uma das empresas de lixo suspeitas de integrar o esquema. Ao mapear licitações realizadas em Brasília, os investigadores levantaram indícios da existência de um clube de empresas que dividem contratos de coleta de lixo não apenas em Brasília, mas também em outros Estados.

A operação de busca e apreensão, realizada na segunda-feira, já avançou sobre os negócios do clube. Em escritórios de contadores das empresas investigadas, os policiais encontraram documentos que podem indicar pagamentos de propina a políticos e funcionários públicos.

Numa das pontas do inquérito, os investigadores mapearam indícios de que o pool de empresas mantém conexões internacionais. Dinheiro supostamente desviado no Brasil estaria sendo remetido para empresas do grupo em Angola e na Inglaterra.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.