PF acha galpão de 5 mil m² com 300 t de contrabando

Mercadorias chinesas avaliadas em R$ 5 milhões seriam levadas para lojas da 25 de Março

José Dacauaziliquá e Lais Cattassini, O Estadao de S.Paulo

18 de setembro de 2008 | 00h00

Uma operação conjunta entre a Polícia e a Receita Federal de São Paulo descobriu um galpão de 5 mil metros quadrados, em Guarulhos, município da Grande São Paulo, usado para estocar 300 toneladas de peças chinesas contrabandeadas. Os produtos seriam usados para abastecer lojistas e camelôs da região da Rua 25 de Março, no centro de São Paulo, para o Dia das Crianças e o Natal. A mercadoria foi avaliada em cerca de R$ 5 milhões.Um dos proprietários, identificado pela polícia apenas como J.N., foi preso e dois sócios seus foram indiciados pelo crime de descaminho e contrabando. Se condenados, poderão pegar uma pena que varia entre 1 e 4 anos de reclusão. Segundo a PF, os três estariam entre os principais fornecedores de mercadorias para a região da 25 de Março. Os produtos também teriam como destino cidades do interior paulista e de outros Estados. Agentes e fiscais vão analisar a documentação e os produtos para saber se os três poderiam ter cometido outros tipos de crimes.ANÚBISA descoberta do galpão é um desdobramento da Operação Anúbis, realizada em todo o Estado de São Paulo desde o início da semana, que já apreendeu cerca de R$ 15 milhões em mercadorias e veículos. De acordo com o coordenador da operação, o delegado da Receita Federal Fábio Eduardo Boschi, 2 mil servidores públicos participaram da força-tarefa apenas no primeiro dia, em lojas, rodovias e no Porto de Santos (no litoral sul de São Paulo). Nas primeiras 12 horas ocorreram apreensões nas cidades de Bauru, Araçatuba e São José do Rio Preto. A Receita Federal espera continuar as blitze por mais duas semanas, mas não adiantou alvos, para não alertar os contrabandistas.Os agentes federais chegaram até o depósito em Guarulhos na tarde de segunda-feira, depois de seguir um caminhão que transportava contêineres. E viram quando o veículo estacionou na entrada do galpão da empresa Kanon, na Rua Sisa, no Bairro Industrial.Os agentes se apresentaram e foram recebidos por J.N., que apresentou as notas fiscais dos produtos (mais informações nesta página). "O grupo burlava a fiscalização trazendo um conteúdo 60% superior ao declarado na nota fiscal", diz o delegado José Alberto Iegas, da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários (Delefaz), subordinada à PF.No local, além do proprietário havia cinco funcionários - que trabalhavam separando as mercadorias. Eles não foram presos. Os sócios de J.N. se apresentaram na sede da PF, na Lapa, em São Paulo.Agora todo o material encontrado, assim como a documentação, será analisado. Os agentes e fiscais federais querem saber se os produtos são pirateados, uma vez que muitos já vinham com o selo do Instituto Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Inmetro). "A qualidade das mercadorias será analisada para ver se as peças são originais ou falsificadas. Se ficar comprovado que são piratas, aí os proprietários caem em outro crime", disse o delegado Boschi. Se ficar comprovada a entrada irregular dos produtos, eles poderão ser leiloados ou doados (em caso de estar de acordo com as normas brasileiras) ou destruídos (caso sejam pirateados).MOVIMENTOA prisão de J.N. não afetou o movimento ontem na Rua 25 de Março. Na realidade, tudo parecia mais tranqüilo do que o normal e o comércio não sofreu alterações. "Recebo mercadorias todos os dias. Não tivemos problemas de fornecimento até agora", comentou a vendedora ambulante Maria de Lourdes, de 48 anos.Os comerciantes contaram que costumavam adquirir os produtos na própria Rua 25 de Março. O Shopping 25 de Março, propriedade do empresário chinês Law Kin Chong, também não sofreu problemas de abastecimento. Chong é apontado como o maior contrabandista do Brasil e é dono de outros quatro centros comerciais na região.

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