PF acha lancha de US$ 1 mi e mais R$ 4,8 mi de Abadía

Agentes tentaram apreender euros ontem à noite em Santa Catarina

Marcelo Godoy e Rodrigo Pereira, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2011 | 00h00

As buscas feitas pelos agentes da Polícia Federal atrás dos bens do traficante de drogas Juan Carlos Ramírez Abadía já resultaram na apreensão de US$ 1,37 milhão, 670 mil e R$ 355 mil (a soma equivale a R$ 4,8 milhões). Na manhã de ontem, policias federais acharam uma lancha de 52 pés (17 metros), avaliada em US$ 1 milhão, que Abadía comprara recentemente.Os agentes já sabem que o colombiano, conhecido como Chupeta (Pirulito), tinha o hábito de enterrar dinheiro em suas propriedades. Para o advogado Sérgio Alambert, que defende o traficante, "esse negócio de enterrar e esconder dinheiro em paredes parece que é um hábito colombiano". Era assim que um dos maiores traficantes de droga do mundo escondia no Brasil parte do lucro obtido com o tráfico de drogas.Os policiais já encontraram dinheiro em duas casas em São Paulo e outra no Rio Grande do Sul. Anteontem à noite, agentes chefiados pelo delegado Fernando Franceschini recuperaram em Campinas US$ 952 mil e 420 mil (a soma equivale a R$ 2,9 milhões). À noite, os policiais foram revistar uma outra mansão do criminoso, em Florianópolis (SC), pois tinham informações de que Abadía esconderia ali 300 mil. Pela manhã, os agentes acharam a lancha no Porto de Vila Velha (ES). Abadía havia comprado a embarcação recentemente. Ela deveria estar em Angra dos Reis (RJ), mas foi enviada ao Espírito Santo, onde foi apreendida.Além do dinheiro em Campinas, a polícia já havia apreendido euros, dólares e reais escondidos na casa de Abadía em Aldeia da Serra (SP) e reais em uma casa em Porto Alegre. No começo do ano, policiais colombianos já tinham apreendido US$ 54 milhões enterrados em uma propriedade de Abadía no país. "Temos informações de que ele escondeu dinheiro nesses lugares, no Rio e no Paraná", disse o delegado Jaber Makul Hanna Saadi, superintendente da PF em São Paulo.DEPOIMENTOAbadía confessou ontem à PF, em seu terceiro depoimento, que usava duas empresas para movimentar seu dinheiro no Brasil: a Compujet e a Barcelos Mostadeiros, esta do ramo de comunicações. Segundo o advogado, o dinheiro servia para as despesas pessoais de Abadía. "O patrimônio dele no Brasil era de US$ 10 milhões", disse.O Departamento de Estado americano estima que o colombiano amealhou uma fortuna de US$ 1,8 bilhão (R$ 3,4 bilhões) enviando mil toneladas de cocaína aos EUA entre 1990 e 2004. Segundo o advogado, Abadía afirmou que não pode avaliar quantas toneladas de cocaína traficou, mas negou ser o maior traficante da América do Sul.Sobre sua mulher, Milareth Torres Lozano, Abadía disse que ela tinha conhecimento de seus negócios, mas não participava do bando. Aqui no Brasil, segundo Abadía disse à PF, só duas pessoas sabiam de suas atividades: Victor Garcia, seu gerente no Paraná, e o piloto André Telles Barcellos. O traficante disse a seu advogado que teme represálias contra sua família na Colômbia. O advogado afirmou que Abadía tem todo o interesse de assumir o que fez e deseja ser extraditado para os EUA. A cooperação de Abadía com a Justiça seria uma forma de ele conseguir a redução de uma possível condenação no Brasil por lavagem de dinheiro e de obter uma redução de pena, caso seja enviado aos EUA.

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