PF admite que PCC poderia ter informações privilegiadas

O delegado da Polícia Federal (PF) Ildo Gasparetto, que comandou a Operação Toupeira, na sexta-feira, em Porto Alegre e prendeu 26 bandidos que tentariam assaltar os cofres do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) e Caixa Econômica Federal no centro da capital gaúcha, admitiu que a quadrilha pode ter recebido informações privilegiadas para consumar a ação: "Tenho quase certeza que algum funcionário de um dos dois bancos ou de empresas terceirizadas, passou boas informações para os integrantes da quadrilha. Ninguém começaria a escavar um túnel sem saber exatamente onde queriam chegar, no caso os cofres das duas instituições bancárias".Gasparetto disse que chegou a esta conclusão após os interrogatórios feitos durante a noite de sexta-feira e madrugada deste sábado com os componentes do grupo. O delegado da PF também afirmou que a partir de segunda-feira devem ser definidos os destinos dos 26 presos, que atualmente estão detidos na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc), na Região Metropolitana de Porto Alegre. A maioria, que tem mandato de prisão expedido pela justiça do Ceará, deve ser transferida para Fortaleza. Também existe a possibilidade de que sejam enviados para o Presídio Federal de Catanduvas, no Paraná.O túnel, que já tinha 80 metros de extensão, seria periciado na tarde sábado. Foi constatado que, durante a escavação, não houve qualquer dano às redes de esgoto da região central de Porto Alegre. Exatamente por isso é que o diretor do Departamento de Esgotos Pluviais (DEP) da prefeitura da capital gaúcha, Sérgio Zimermmann, acredita que algum técnico ou engenheiro com conhecimento específico na área tenha orientado os bandidos na escavação do túnel: "Alguém que tenha noções de estruturação e encaminhamento de uma escavação, certamente deve ter participado de todo o processo", afirmou.OperaçãoA Operação Facção Toupeira desbaratou o grupo responsável pelo mais ambicioso plano do PCC desde o furto de R$ 164,7 milhões do Banco Central de Fortaleza, em 2005. De quebra, pôs atrás das grades líderes do bando como Lucivaldo Laurindo, de 33 anos, o Torturado, e Carlos Alberto da Silva, de 27, o Balengo, suspeito de ter liderado o seqüestro do repórter Guilherme Portanova, da TV Globo. O Ministério da Justiça comemorou. "É um golpe forte no crime organizado naquilo que ele tem de oxigênio, que é o dinheiro", disse em São Paulo o ministro Márcio Thomaz Bastos.O bando preparava outros ataques. Mal havia concluído a ação no Sul e um novo túnel era escavado em Maceió, para furtar outro banco.

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