PF afirma ter provas de que Shopping Pari é de Law

Preso, chinês negou em depoimento à PF a propriedade das mercadorias

Eduardo Reina, O Estadao de S.Paulo

16 de novembro de 2007 | 00h00

A Polícia Federal afirma ter como comprovar que o shopping que o empresário Law Kin Chong iria inaugurar em São Paulo é realmente de sua propriedade. Segundo o delegado Fernando Francischini, há imagens do circuito interno do centro de compras que mostram Law coordenando obras do prédio, negociando locações de lojas e vistoriando produtos recebidos. Haveria ainda imagens do chinês controlando a entrada de mercadorias no prédio fechado no Pari. As gravações estão sendo decupadas.Policiais federais prenderam Law anteontem em sua casa, depois que uma força- tarefa composta por policiais, promotores e fiscais da Prefeitura havia apreendido mercadorias pirateadas - o equivalente a cem caminhões - no Shopping Pari, no centro. O local foi lacrado.Segundo um dos advogados do empresário, Aldo Bonametti, Law transitou pelo Shopping Pari nos últimos três meses, no andar térreo e primeiro andar, conforme apontam as gravações. As imagens da PF mostram Law caminhando nas escadas e também no elevador. Bonametti afirmou também que não há provas de contrabando praticado por Law, mas apenas imagens que mostram que seu cliente esteve no imóvel.Ontem, Law prestou depoimento à PF, acompanhado de dois advogados. O interrogatório durou cerca de quatro horas durante a madrugada. Ele negou ser o dono das mercadorias contrabandeadas e que foram apreendidas no local. À polícia, afirmou que apenas locava lojas para comerciantes.Ainda segundo a Polícia Federal, a Subprefeitura da Mooca teria oferecido o Shopping Pari e mais três outros espaços no bairro do Brás como opção de legalização do serviço de camelôs que trabalham irregularmente na rua.NEGÓCIOSAnunciado ontem de forma espalhafatosa pelo prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, o fechamento do Shopping Pari não afetou os negócios de Law. Os centros comerciais 25 de Março, Mundo Oriental e StandCenter, também de sua propriedade, não pararam de vender produtos piratas.Ontem, os três estabelecimentos estavam abertos e praticavam normalmente o comércio de produtos piratas, como DVDs, roupas, tênis, bolsas, relógios e equipamentos eletrônicos. Mesmo com chuva e feriado prolongado, o movimento de clientes era grande.A venda dos produtos ilegais é feita abertamente e há muita procura. No StandCenter, que fica na Avenida Paulista, era difícil andar pelos corredores estreitos e lotados de gente. O fato de estarem praticando um ato ilícito também não parecia incomodar os clientes do StandCenter. "Não tenho medo (de ser preso). Não estou roubando. Estou pagando", disse Thiago Marques, de 25 anos, que havia acabado de comprar três jogos piratas do videogame XBox 360. Os originais custam, em média, R$ 200 cada um. "O resto eu não compro pirata. Só os jogos, porque o preço é muito inacessível."Os estandes com filmes piratas estavam entre os mais procurados. O casal Celso Ribeiro Silva, de 47 anos, e Carolina Silva, de 31, comprou cinco DVDs, que custam, em média, R$ 10 cada. "Eu não compro filme pirata. Dei o dinheiro para alguém e ele comprou", disse ele. "Não tínhamos o que fazer, vimos o movimento na porta e resolvemos dar uma volta. Não é comum eu fazer isso. Calhou."COLABOROU FELIPE GRANDIN

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