PF apreende armas em casa de irmão de Requião

Operação Dallas já havia prendido oito pessoas por suposto esquema de desvio de cargas no Porto de Paranaguá

Evandro Fadel e Renée Pereira, O Estado de S.Paulo

22 de janeiro de 2011 | 00h00

A Polícia Federal encontrou R$ 140 mil em dinheiro e várias armas em uma casa que Eduardo Requião mantém no Rio de Janeiro. Eduardo é irmão do ex-governador do Paraná e senador eleito Roberto Requião (PMDB).

A ação faz parte da Operação Dallas, que cumpriu 29 mandados de busca e apreensão e prendeu oito pessoas na quarta-feira. Um dos presos é o ex-superintendente da Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina (Appa) Daniel Lúcio Oliveira de Souza, nomeado por Requião (PMDB) em outubro de 2008. Eduardo Requião ocupou esse cargo entre 2003 e 2008.

A PF ainda aguarda os documentos que comprovem a regularização das armas. Eduardo deve ser chamado a depor para explicar a origem do dinheiro - que não foi recolhido, visto que a ordem judicial era apenas para apreender documentos e computadores. No Twitter, Roberto Requião comentou durante toda a quarta-feira: "Não perdoo nem o pecador nem o pecado, confio no meu irmão. Dentro da lei tudo deve ser apurado."

As investigações começaram há cerca de dois anos, após denúncias de exportadores à Receita Federal. Na ação em Paranaguá, na quarta-feira, a PF prendeu oito pessoas acusadas de crimes ligados ao Porto de Paranaguá. Outras duas apresentaram-se no dia seguinte. Seis dos acusados estariam envolvidos em desvio de cargas. Outros quatro, todos presos, são acusados de fraude em licitações, contratações irregulares e pedidos de propina. Nas próximas semanas, 50 pessoas serão chamadas para depor.

Contra o ex-superintendente Daniel de Souza - que foi detido no Rio de Janeiro - e outros ex-funcionários pesa a acusação de que teriam recebido R$ 5 milhões para que uma empresa vencesse a licitação para a dragagem do porto. Tempos depois, a licitação foi anulada. Souza também é suspeito de ser dono de empresa contratada para serviços emergenciais no valor de R$ 70 mil, pelos quais teria recebido R$ 270 mil.

A operação Dallas nasceu de uma denúncia sobre desvio de granéis sólidos. Os clientes estrangeiros estavam recebendo menos grãos do que compravam e isso começava a criar desconforto com os fornecedores brasileiros. O Ministério Público Federal em Paranaguá iniciou investigação em dois terminais e detectou que o terminal privado CBL, da família Fumagalli, estava desviando grãos. Segundo o delegado da PF Jorge Fayad Nazário, só em soja seriam desviados de 3 a 4 mil toneladas de grãos por safra. Isso significa um lucro entre US$ 2 milhões e US$ 3 milhões.

Na Secretaria de Portos, o ministro Leônidas Cristino afirmou, por meio da assessoria, que medidas já estão sendo tomadas. Sobre uma possível intervenção, disse que "ainda" não conversou sobre o caso com a Presidência da República.

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