Policia Federal
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PF apreende jato de presidente do TCE-AP

Um dos presos na Operação Mãos Limpas, José Júlio de Miranda Coelho vinha tentando ocultar o avião, segundo as investigações

Vannildo Mendes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 de setembro de 2010 | 00h00

A coleção de bens de luxo do presidente do Tribunal de Contas do Estado do Amapá, José Júlio de Miranda Coelho, preso na Operação Mãos Limpas, inclui um jato executivo, Cessna, que ele vinha tentando ocultar das autoridades. A Polícia Federal já havia apreendido cinco carros importados, entre os quais um Maserati e uma Ferrari, além de dinheiro e joias.

A aeronave estava num hangar do Aeroporto da Pampulha, em Belo Horizonte e foi apreendida na noite de anteontem com autorização do Superior Tribunal de Justiça (STJ). O aparelho, do modelo Citation, ficará retido à disposição da Justiça.

Desencadeada no último dia 10, a operação prendeu até agora 20 pessoas, acusadas num esquema de desvio de dinheiro público. Dezesseis pessoas foram libertadas e apenas quatro permanecem detidos, entre as quais Coelho, que teve sua prisão temporária transformada em preventiva, com duração de 30 dias. Por ter direito a foro especial, ele está recolhido a uma cela especial na Superintendência da PF em Brasília.

Bunker. Documentos apreendidos pela PF mostram que o TCE do Amapá funcionava como um bunker da quadrilha, desmantelada na operação, que seria integrada pelo governador Pedro Paulo Dias (PP), pelo ex-governador Waldez Góes (PDT), políticos, empresários e altos dirigentes do Estado.

O tribunal, conforme as investigações, aprovava contas viciadas, convalidava licitações fraudulentas e legitimava o esquema de corrupção espalhado pelos vários setores da máquina pública.

Coelho, apontado pela PF como um dos cabeças do grupo, levava vida de milionário. Na mansão de veraneio em que ele foi preso, em João Pessoa (PB), a polícia apreendeu os cinco carros de luxo. Para evitar que os veículos fossem danificados, a garagem era climatizada e tinha revestimento especial.

A PF estima que a quadrilha desviou em um ano cerca de R$ 300 milhões, de um total de R$ 800 milhões enviados pela União ao Amapá de 2009 a 2010.

Outros membros do TCE, que ostentavam sinais de riqueza incompatível com a renda, também serão investigados.

Ontem, ao abrir a fase 2 da Operação Mãos Limpas, a PF cumpriu em Macapá 15 mandados de condução coercitiva para os depoimento de servidores.

Por determinação do STJ, os alvos não foram divulgados para não atrapalhar as investigações, que podem resultar em novas prisões e outras buscas e apreensões. Nessa fase, a PF e a Justiça darão prioridade à localização de bens acumulados com o desvio de dinheiro público, para fins de ressarcimento.

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