PF apresenta relatório sobre investigação de acidente da Gol

A Polícia Federal vai entregar nesta quarta-feira à Justiça Federal de Sinope, em Mato Grosso, um relatório sobre tudo que foi apurado até agora no inquérito que investiga o choque entre o Boeing da Gol e o jato Legacy ocorrido em 29 de setembro. O delegado Ramon da Silva Almeida, que está à frente do inquérito, pedirá mais prazo para aprofundar as investigações e fechar a relação de culpados pela maior tragédia da aviação brasileira, na qual morreram 154 pessoas. Almeida pedirá também que o juiz do caso decida se a PF tem competência para indiciar os controladores envolvidos no caso, todos militares, ou se deve remeter os autos para a Justiça Militar. O indiciamento é um ato formal que torna uma pessoa investigada em acusada de um crime durante a fase de inquérito policial.Até agora, já estão indiciados os pilotos do Legacy, os americanos Joseph Lepore e Jan Paul Paladino, que são civis. Eles são acusados de colocar em risco a segurança do tráfego aéreo, com os agravantes de destruição da aeronave e das mortes. Mas o relatório atribuirá maior cota de responsabilidade pelo acidente aos sucessivos erros cometidos pelas torres de controle do tráfego aéreo de Brasília e de São José dos Campos, de onde partiu o jato, rumo aos Estados Unidos.Conforme as investigações, pelo menos três controladores já estão com indícios de culpa caracterizados. Os casos mais graves são os dos controladores Jomarcelo Fernandes dos Santos e Lucivando Tibúrcio de Alencar, de Brasília.Jomarcelo não notou que o jato sobrevoava Brasília a 37 mil pés e ainda passou para o colega Tibúrcio, na troca de turno, a informação incorreta de que o jato estava a 36 mil pés. Este demorou a perceber o erro e deixou de adotar procedimentos de praxe, importantes para evitar o choque.O primeiro erro fatal foi cometido ainda em São José, quando o controlador Felipe Santos dos Reis passou para os pilotos do Legacy a instrução imprecisa, ainda por cima num inglês deficiente, de que o jato deveria voar a 37 mil pés no trecho São José dos Campos/Eduardo Gomes. A instrução foi interpretada possivelmente como uma ordem para que o jato permanecesse nessa altitude em todo o percurso, até Manaus.Um dos pilotos chegou a advertir, em inglês, que não tinha entendido a mensagem integralmente "I didn´t get the final fix"(Eu não copiei o dado final), mas Reis não deu resposta. O problema é que Reis recebeu essa instrução de voar a 37 mil pés em todo o percurso do centro de aéreo de Brasília (Cindacta-1), a autoridade máxima que autoriza os planos de vôo no Sudeste. A PF tem dúvida se a culpa cabe ao controlador do centro, cujo nome não foi revelado, ou a Reis, ou aos dois.

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