PF apura se prefeito lavou dinheiro no exterior

Operação em Taubaté rastreia movimentação bancária de Peixoto, a fim de identificar contas em outros países

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

23 de junho de 2011 | 00h00

A Polícia Federal suspeita que o prefeito de Taubaté, Roberto Peixoto (PMDB), preso na terça-feira pela Operação Urupês, teria depositado ativos ilícitos no exterior. A evasão pode ter sido realizada para lavar dinheiro de corrupção, por meio da ocultação de valores - mecanismo que disfarça enriquecimento e ampliação de patrimônio.

Ao requerer ordem judicial para buscas na casa e no gabinete de Peixoto, a PF destacou que rastreia movimentação financeira do prefeito, da mulher dele, Luciana, e de outros investigados. "O avanço das investigações e a demonstração da materialidade de diversos dos crimes ora investigados, a exemplo da corrupção ativa e passiva, bem como da lavagem do dinheiro ilicitamente obtido pela quadrilha, impõe o cumprimento de buscas visando-se, especialmente, à localização de valores em moeda nacional e/ou estrangeira", assinala relatório da PF.

Os federais visam à "localização de comprovantes de titularidade de contas bancárias mantidas no Brasil e no exterior em nome dos investigados ou de terceiros". A PF aponta "veementes indícios de formação de quadrilha incrustada e ramificada no Poder Executivo municipal de Taubaté, destinada à prática habitual e reiterada de crimes que dilapidam o patrimônio público, envolvendo, inclusive, receitas de origem federal".

Segundo o documento, "informações policiais demonstram que os investigados têm feito viagens ao exterior, a exemplo de Elói e Roberta Peixoto". Elói seria policial civil ligado a Peixoto. Roberta é filha do prefeito.

A suspeita da PF ganhou força a partir do resultado, ainda parcial, da quebra do sigilo bancário dos investigados. "Foi possível apurar-se movimentações financeiras dos investigados que revelam seu envolvimento na prática dos fatos delituosos."

O secretário de Governo de Taubaté, Adair Loredo, saiu em defesa de Peixoto. "O prefeito não conhece nem o Uruguai, pegou avião só para ir a Brasília a trabalho. Ele só conhece Taubaté", afirmou. "A filha dele saiu do País duas vezes: uma em lua de mel e outra quando fez cruzeiro até Buenos Aires e Santiago."

Imóveis. A PF também mira documentos de constituição de empresas, escrituras públicas e instrumentos de compromisso de compra e venda de imóveis em nome dos alvos da Urupês ou de terceiros. Nos computadores já recolhidos pela força-tarefa, com chancela judicial, a PF vasculha arquivos que revelem "outros locais onde devam ser, posteriormente, cumpridos novos mandados de busca e comprovantes de viagens ao exterior".

A Procuradoria da República endossou o pedido da PF para decreto de prisão do prefeito, da mulher dele, Luciana, e do contador Carlos Anderson. "Há indícios de que o prefeito, atuando organizadamente com membros de sua família e com empresários, seria responsável por dispensar ilegalmente procedimentos licitatórios, mediante recebimento de propinas, bem como por onerar indevidamente verbas de natureza federal destinadas ao custeio de programas de saúde e educação, valendo-se dos valores ilegalmente recebidos a partir de corrupção."

Peixoto e a mulher estão recolhidos na Custódia da PF em São Paulo. Eles foram presos em regime temporário por cinco dias, a mando do desembargador federal Mairan Maia.

O casal ocupa celas separadas no terceiro andar da PF. Até domingo, o edifício-sede estará interditado para cumprimento de protocolo sanitário - hoje e amanhã, as dependências passarão por processo de dedetização e descupinização.

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