PF apura suposto caixa 2 de políticos do PT e PDT

A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar suposto caixa 2 de campanha dos deputados estaduais Gérson Bittencourt (PT) e Rafael Silva (PDT) nas eleições de 2010. Os dois são citados em relatório de inteligência do Ministério Público Estadual que investiga corrupção no governo Dr. Hélio (PDT), prefeito de Campinas. O inquérito da PF foi requisitado pelo procurador regional eleitoral, Pedro Barbosa Pereira Neto.

Fausto Macedo, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2011 | 00h00

Bittencourt foi secretário de Transportes da gestão Marta Suplicy (2001-2004) na Prefeitura de São Paulo e ocupou o mesmo cargo na administração Dr. Hélio. O deputado Rafael Silva é de Ribeirão Preto. No último pleito, ele fez dobradinha com o ex-secretário de Segurança de Campinas, Carlos Henrique Pinto, que se candidatou a uma cadeira na Câmara, mas não se elegeu.

O ponto de partida da PF é uma planilha de contabilidade em papel timbrado de uma gráfica que mantém contratos com a prefeitura de Campinas e com a Sanasa, companhia de saneamento da cidade. O papel traz nomes e valores, cerca de R$ 760 mil, distribuídos em duas categorias: "com nota" e "sem nota". Foi apreendido em 20 de maio pela Corregedoria da Polícia Civil na casa de Carlos Henrique.

A promotoria confrontou os valores declarados pelos políticos ao TRE e ao Tribunal Superior Eleitoral com os valores lançados na planilha. "Pelo mapeamento concluímos que vários desses candidatos tiveram despesas de campanha não indicadas à Justiça eleitoral o que demonstra utilização de dinheiro não contabilizado, ou prática do chamado caixa 2", argumenta a promotoria.

"Eu não tenho nada com caixa 2, fiquei devendo na campanha", disse Silva. "Fiz dobrada com o Carlos Henrique , mas não tenho nada com esse povo. Tem que investigar mesmo, podem investigar. Essa dobradinha financeiramente não foi boa para mim."

Bittencourt rechaçou caixa 2. Em nota, sua assessoria disse que "a Arte Brasil (gráfica) prestou serviço de campanha no valor de R$ 242.433 distribuídos em 18 notas fiscais e as informações são públicas e constam do site do Tribunal Regional Eleitoral". Segundo o petista, "nenhum dos acusados participou da coordenação da campanha, a prestação de contas foi aprovada pelo Ministério Público Eleitoral e pelo TRE, sem qualquer ressalva".

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