PF começa a ouvir controladores sobre acidente da Gol

A Polícia Federal começou nesta segunda-feira a tomar os depoimentos dos 13 controladores de vôo das torres de São José dos Campos (3) e de Brasília (10), que estavam de serviço no dia 29 de setembro, quando ocorreu o acidente entre o boeing da Gol e o jato Legacy, no qual morreram 154 pessoas. O inquérito investiga o grau de responsabilidade dos controladores no acidente. Eles já foram ouvidos pela Aeronáutica, que constatou falha de comunicação entre o centro de controle de Brasília e os pilotos do Legacy, que serão ouvidos ao final do inquérito.Nesta segunda, foram interrogados só quatro controladores e os depoimentos prosseguem na terça-feira. Eles estão sendo ouvidos pelo delegado Rubens José Maleiner, da Coordenação de Aviação Operacional (Caop) da PF, porque o delegado Renato Sayão, titular do inquérito, entrou de licença médica devido a uma crise de hérnia. Maleiner, que é piloto profissional e especialista em investigação de acidentes aeronáuticos, está tomando os depoimentos de acordo com a cronologia do acidente, desde os preparativos da partida do jato em São José dos Campos.Conforme o relatório da Aeronáutica, os controladores de Brasília fizeram, por meia hora, sete tentativas de contato com os pilotos do Legacy, que por sua vez tentaram 13 vezes falar com a torre. Mas as tentativas foram tardias e não se concretizaram por provável falha no sistema de comunicação do aparelho.Embora tenha ouvido a versão dos controladores, o coronel Rufino Ferreira, coordenador da Comissão de Investigação do acidente, não soube explicar porque eles não advertiram os pilotos de que o Legacy estava na altitude errada, a tempo de evitar o acidente. O jato deveria baixar de 37 mil para 36 mil ao sobrevoar Brasília. Mas permaneceu nos 37 mil pés, mesma altitude em que vinha, em sentido contrário, o boeing da Gol, procedente de Manaus.Maleiner definiu os depoimentos como técnicos e altamente produtivos, mas se recusou a antecipar juízo sobre culpa ou graus de responsabilidade no acidente. Os depoimentos estão sendo tomados em sigilo na sede do Cindacta 1, de Brasília e os nomes dos controladores são mantidos em sigilo para resguardá-los do risco de atentados ou de agressões por parte de familiares das vítimas. Eles deveriam ter sido ouvidos em outubro, mas apresentaram atestados médicos e adiaram os depoimentos. O delegado entregou nesta segunda ao chefe do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) a intimação da justiça federal que obriga o Comando da Aeronáutica a entregar à PF todas as informações relativas ao acidente, entre as quais as análises e diálogos das caixas pretas dos dois aviões.

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